Facebook Home: Zuckerberg conquista Android


Mark Zuckerberg apresentou esta quinta-feira, 4 de Abril, o Home, uma nova forma de ter o Facebook nas nossas mãos. O Facebook Home transforma qualquer Android num “Facebook Phone”, isto é, num telemóvel social, focado nas pessoas e não nas apps.

Nós queremos partilhar e conectar com aqueles de que gostamos. É dessa forma que descobrimos nova informação e contruímos relações com significado. Os telemóveis hoje funcionam em torno das apps, pelo que, para sabermos o que está a acontecer com os nossos amigos, temos de percorrer uma série de apps independentes.

O Facebook Home coloca as pessoas em primeiro lugar nos smartphones e não as apps. Somos seres sociais. E o Facebook quer incorporar esse ADN nos pequenos aparelhos que nos acompanham todos os dias, introduzindo uma nova forma de interagir com os nossos amigos e de estar numa rede social. No fundo, o Home do Facebook transforma o nosso telemóvel numa rede social.

O Home não é um telemóvel, nem um sistema operativo. Como disse Mark Zuckerberg há algum tempo e voltou a referi-lo hoje, construir um telemóvel ou desenhar um novo sistema operativo colocaria o Home nas mãos de um pequeno grupo de pessoas. E o Facebook é uma rede social de massas, que quer chegar a todos. Com o Home, passaremos a interagir de forma diferente no Facebook.

O que é o Facebook Home?

Tecnicamente, o Facebook Home é um launcher, que substitui o launcher nativo do Android e que se divide em três partes: Cover Feed, Chats Heads e App Launcher.

Cover Feed

O Cover Feed é o elemento fulcral do Facebook Home. Aparece no momento em que acordamos o nosso telemóvel e substitui o lock screen e o home screen. O Cover Feed apresenta aquilo eu que está a acontecer com os nossos amigos. É um feed inteiramente visual, o que realça ainda mais a importância das fotografias na rede social. Ainda assim, status updates e links também têm o seu espaço na Home.

A experiência no Cover Feed pretende ser o mais bonita, fluída e envolvente possível. O conteúdo é o rei. Podemos gostar de publicações e comentá-las directamente no Cover Feed. A navegação pelas várias histórias faz-se com o movimento lateral dos dedos. Tudo está em full-screen.

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O Cover Feed, diz o Facebook, é para os momentos em que estamos na fila do supermercado, nos intervalos das aulas ou no meio do trânsito durante o regresso a casa depois de um intenso e cansativo dia de trabalho.

O Cover Feed apresenta ainda as notificações do Facebook (um amigo publicou na minha Timeline, alguém gosto da minha foto, etc.), as novas mensagens do Facebook Messenger e também as notificações das outras apps, como o Gmail, o Instagram, etc. As notificações aparecem organizadas por amigo e não por app, isto é, elas mostram-nos que determinado amigos fez X (por exemplo, gostou de uma foto minha) e não que determina app tem algo novo para nós.

Chat Heads

O Home apresenta um conceito novo de conversação. Com o Chat Heads, podemos estar a falar com os nossos amigos em qualquer parte do nosso smartphone Android, seja no Cover Feed ou durante a utilização de uma qualquer outra app. Podemos estar, por exemplo, a pesquisar no Google Maps e a combinar um jantar com a namorada, a ler um artigo no New York Times e a discutir o conteúdo desse artigo com o nosso primo ou a navegar no Google+ e a falar com os nossos amigos do Facebook.

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As mensagens do Facebook estão onde quer que nós estejamos, independentemente do que estejamos a fazer: a verificar o e-mail, a ouvir música, a navegar na web… Como o SMS está integrado no Facebook Messenger para Android podemos usar o Chat Heads quer para mensagens do Facebook, quer para os velhos e tradicionais SMS.

App Launcher

Apesar do fogo nas pessoas, as apps continuam facilmente acessíveis no Facebook Home. O App Launcher mostra-nos as nossas apps favoritas, existindo um ecrã com todas as restantes apps, tal como acontece com o Android nativo.

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Como ter o Facebook Home?

O Facebook Home chega dia 12 de Abril aos EUA através do Google Play Store. Numa primeira fase, estará disponível apenas para os smartphones de topo, mais recentes, nomeadamente o HTC One X, o HTC One X+, o Samsung GALAXY S III e o Samsung GALAXY Note II (ou seja, tudo aparelhos da Samsung e HTC). (Para ter o Facebook Home, são precisas as apps Facebook e Facebook Messenger.)

Através do Facebook Home Program, o Home estará pré-instalado em alguns smartphones. O HTC First, relevado hoje pela HTC, é o primeiro deles, isto é, vem com o Facebook Home pré-instalado. Estará disponível também a 12 de Abril por cerca de 100 euros.

O Facebook Home chegará, garantiu Zuckerberg a mais smartphones nos próximos meses e também terá uma versão para tablets.

Home: o início de um Facebook inteiramente mobile?

O Facebook tem-se afirmado cada vez mais como uma empresa mobile. A aposta começou em 2012, com a renovação das apps para iOS e Android, a aquisição do Instagram, o lançamento das apps Facebook Camera e Facebook Pages Manager e a aposta no Facebook Messenger. De facto, mais de metade dos utilizadores do Facebook (cerca de 60%) acedem à rede social no mobile e uma pequena fatia (10%) nunca entrou no Facebook através de um desktop.

O mobile é o futuro e aparelhos como smartphones e tablets protagonizam-no. Zuckerberg disse, esta tarde, que muito provavelmente as gerações futuras não saberão o que são computadores, nem precisarão de o saber.

O Home é a nova versão do Facebook. Na teoria, é apenas um launcher para o Android, com histórias, notificações e mensagens. Mas, na prática, é algo impressionantemente novo. O Facebook quer conectar o Mundo e tornar-nos mais próximos uns dos outros. Porém, o Facebook quer outra coisa: lucro. Zuckerberg disse-o: os anúncios chegarão ao Cover Feed no futuro, não dia 12 de Abril, mas num mês próximo. Por isso mesmo, o Home não é de todo uma jogada inocente. Imaginemos abrir o nosso Android e termos de imediato à frente dos nossos olhos alguém a dizer-nos para instalarmos uma app ou para aderir a uma promoção. Segundo Zuckerberg, olhamos 100 vezes por dia para o homescreen do nosso smartphone.

Uma facada nas costas da Google?

O Android nasceu como um sistema operativo mobile aberto, podendo ser facilmente modificado. A Google adquiriu-o e manteve-o aberto. Durante a apresentação do Home, Zuckerberg lembrou diversas vezes esta versatibilidade do Android, destacando-a como uma vantagem competitiva relativamente a outras plataformas como o iOS e o Windows Phone.

O Facebook soube aproveitar uma lacuna da Google para se introduzir no Android, mostrando o quão fácil é para a concorrência da Google entrar na sua plataforma em seu benefício.