Jornal francês Libération impresso sem uma única fotografia


A edição de 14 de Novembro do jornal francês Libération foi impressa sem uma única fotografia. O resultado: páginas de silêncio, mudas, desconfortáveis, incompletas. A iniciativa pretendeu mostrar a importância do fotojornalismo e o poder da imagem.

“Um choque visual. Pela primeira vez na sua história, o Libération foi publicado sem fotografias. Em seu lugar, uma série de molduras vazias que criam uma espécie de silêncio; um silêncio desconfortável. É visível, há informação em falta, como se nos tivessemos tornados um jornal mudo. Um jornal sem som, sem a sua pequena música interna que acompanha o olhar”, explicou Brigitte Ollier num artigo publicado naquela edição.

No local onde deveriam estar as imagens, apareciam contornos rectangulares. As legendas, essas, estavam lá. As imagens nem por isso. No final do jornal, existia uma página com todas as fotografias removidas e a indicação de onde elas deveriam estar. “Não é um funeral, não estamos a enterrar a arte fotográfica. Em vez disso, fazemos à fotografia a homenagem que merece. No entanto, ninguém pode ignorar a situação calamitosa na qual se encontram os fotógrafos de imprensa, em particular os fotógrafos de guerra que arriscam a sua vida e mal ganham para viver”, escreve o jornal.

Fotos: Olivier Laurent / British Journal of Photography