Ensaio sobre a beleza


A “mulher mais feia do mundo” lança a questão: o que é que nos define enquanto pessoas? Lizzie Velasquez é a prova de que o pressuposto dessa definição não tem de ser, necessariamente, a beleza física. 

Ela tem 25 anos e sofre de uma síndrome genética rara. Tão rara que nem nome tem. Pelo menos, oficialmente. O bullying que sofreu, por parte dos colegas da escola, deve ter-lhe dado muitos nomes, certamente.

lizzievelasquez2Nunca pesou mais de 30 quilogramas, não tem visão do olho direito e parte do esquerdo e apresenta uma face visivelmente desfigurada. Feia? O conceito de beleza é subjectivo. Tão subjectivo quanto a convicção dos médicos que, aquando do seu nascimento, não lhe garantiam muitos anos de vida. Dificilmente falaria, dificilmente andaria.

Dificilmente. Não definitivamente.

Lizzie contrariou todas as expectativas pessimistas. Não consegue ultrapassar os 30 quilogramas de peso, apesar das 60 pequenas refeições que é obrigada a tomar diariamente, mas isso não a impediu de ultrapassar todas as adversidades. Com 25 anos, vive e ensina a viver. Inspira quem queira desvendar um pouco da sua fascinante história.

Na adolescência, “alguém” (essa entidade que está por detrás do cobarde e sempre anónimo bullying) colocou no You Tube um trecho de oito segundos da participação de Lizzie num programa de televisão, quando tinha 11 anos. O título: “a mulher mais feia do mundo”. Nos comentários, também eles sempre anónimos e cobardes, todo o lixo possível de mensagens que tanto incentivavam a norte-americana a suicidar-se, como lamentavam o facto de os seus pais não terem abortado de Lizzie.

Motivo de depressão? Só se for para o comum dos mortais. Lizzie é especial, em todos os sentidos. Formou-se em comunicação, já lançou dois livros e, para além de tudo isso, leva a cabo regularmente sessões de motivação. Hoje, não consegue repetir aquele ingrato título do vídeo viral sem gargalhar. Uma gargalhada de libertação. Uma gargalhada que inquieta mas que simultaneamente fascina quem, deste lado, a ouve.

O que nos define enquanto pessoas? No caso de Lizzie, talvez, as gargalhadas.