Os 5 discos de 2013


Muita música se produziu, muitos e bons álbum viram a luz do dia em 2013. A equipa do Shifter escolheu, a muito custo, os cinco melhores: aqueles que, por mais tempo que passe, continuarão a merecer um lugar especial nas nossas playlists e nos nossos ouvidos.

AM, dos Arctic Monkeys

discos2013_amMuitas críticas recebeu, por ser uma mistura mal engendrada de Queens of Stone Age com Black Keys, etc. Mas, se houve essa apropriação de estilo, então foi muito bem conseguida. A verdade é que os Arctic Monkeys reduziram a velocidade, deram descanso aos riffs rasgados mas honraram com distinção o espaço que conquistaram nos últimos anos: agora numa versão sedutora, de trincar o lábio, com o mesmo timbre de Alex Turner que todos invejamos, difícil é escolher as melhores músicas. Sejam muito bem-vindos a Portugal.

Holly Fire, dos Foals

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Longe da sonoridade juvenil e irrequieta do primeiro álbum, Holy Fire apresenta- nos uns Foals cada vez mais maduros, com uma vontade clara de se afirmarem como uma das principais forças actuais do rock alternativo britânico. Ao longo de 13 canções, somos invadidos por ambientes intimistas e emocionais, batidas fortes e dançáveis, refrãos viciantes e guitarras inteligentes a piscar o olho às melodias math rock por onde a banda de Oxford já se aventurou anteriormente. “My Number”, o segundo single, é a prova óbvia da capacidade dos britânicos de criar melodias que não nos vão sair da cabeça tão cedo e é a música que, de uma forma ou de outra, todos nós gostaríamos de ter dançado este ano num festival de verão. Holy Fire representa, assim, a chegada dos Foals à fase adulta e apresenta-se como um dos mais interessantes e criativos álbuns de rock alternativo de 2013.

O Grande Medo do Pequeno Mundo, de Samuel Úria

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Dizia, à data do seu lançamento, que era uma pérola e que não nos íamos esquecer dele quando alinhássemos o top dos melhores álbuns do ano. As músicas não só resistiram ao tempo como cresceram e se aninharam, cada vez mais, no nosso ouvido. As colaborações de Márcia, Manuel Cruz, António Zambujo, Jorge Rivotti e Miguel Araújo são apenas um certificado de qualidade de uma obra de arte que é para durar. Afinal, “o sustento é forte quando o intento é puro”.

Random Access Memories, dos Daft Punk

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Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo comprometeram-se a prestar homenagem à Dance Music dos 70s/80s da única forma que faria sentido: com instrumentos reais, músicos reais, performances reais. Tributos ao Funk, baladas repletas de vocoder, singles perigosamente viciantes (Get Lucky, com a participação do “midas” Pharrell Williams, faz parte, indiscutivelmente, da banda sonora de 2013) ou autênticas Opera-Disco compõem um álbum consistente e equilibrado, arranhando o conceptual, mas sobretudo bom do início ao fim, uma experiência sonora para ser ouvida na sua totalidade. Se todos estes ingredientes não forem suficientes, podemos ainda relembrar o hype monstruoso criado à volta de RAM, antes e após o seu lançamento ou o sucesso comercial (número 1 em mais de 20 países) e o reconhecimento da crítica e indústria musical (10/10 na NME, 8.8/10 na Pitchfork e nomeações para vários Grammy).

Trouble Will Find Me, dos The National

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Os The National têm uma tradição que se mantém desde o lançamento de Alligator: cada novo lançamento é melhor que o anterior. Trouble Will Find Me não é excepção. Depois de um álbum tão denso como High Violet, o novo longa-duração da banda mostra uma transparência maior. As letras introspectivas e melancólicas de Matt Berninger e a instrumentalização quase mecânica oferecem-nos temas intimistas que se assemelham a confissões. Contando com músicas como “Don’t Swallow the Cap”, “Sea of Love” e “This is the Last Time”, este álbum não poderia deixar de figurar entre os melhores de 2013. Vale a pena ainda mencionar “Rylan”, uma música que não chegou a entrar no álbum mas que foi apresentada em vários concertos que o precederam.

Contribuíram para este artigo: Guilherme Correia, Luís Medeiros, João Miguel Dordio, José Crespo, Mário Rui André, Pedro Rebelo Pereira.