O Firefox não é apenas um browser, é também um sistema operativo


 

O Firefox OS não é novidade. Já tem uns dois anos, pelo menos. Mas hoje foi a primeira vez que colocámos as mãos nele. É o sistema operativo criado pela marca que ficou conhecida pelo browser com o mesmo nome. O Firefox OS destina-se aos mercados low-cost.

O Firefox OS é diferente dos sistemas operativos já existentes. Não corre apps nativas. As apps são todas web apps feitas em HTML5 e CS3 – inclusive as pré-instaladas/básicas (chamadas, mensagens, notas, e-mail, etc.). No fundo, são websites, e o OS é um browser que organiza esses websites. Websites que, ainda assim, podem aceder ao hardware do telefone, como a câmara ou o GPS.

Ainda assim, as apps do Firefox OS não podem ser super sofisticadas. Uma web app tem sempre limitações técnicas, o que também as torna mais lentas e com algum lag de resposta. Mas o Firefox OS não é desenhado para utilizadores exigentes, nem muito menos para grandes telemóveis. Não é um sistema operativo em que tudo corre fluida e rapidamente.

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O Firefox OS alimenta smartphones low-cost, destinados a países mais pobres e/ou a pessoas com baixo poder de compra, permitindo assim massificar o acesso à internet e aumentar a penetração de smartphones. Pode ser uma excelente forma de levar a Internet aos próximos 5 mil milhões de pessoas, como Mark Zuckerberg quer.

O Firefox OS equipa, por exemplo, o Open II e o Open C, dois aparelhos que a ZTE apresentou no MWC 2014. São dois pequenos smartphones com especificações muito baixas. O Open II, por exemplo, tem um ecrã de 3,5 polegadas com uma resolução 480 x 320 pixels, um processador dual-core Snapdragon 200 de 1.2 GHz, 256 MB de RAM, 2 GB de armazenamento e uma câmara de 2 megapixels. Já o Open C é ligeiramente maior (um ecrã de 4 polegadas com 480 x 320 pixels de resolução, mais memória RAM (512 MB), mais armazenamento (4 GB), mais um pixel na câmara (3 MP), mas o mesmo processador (Snapdragon 200 de 1.2 GHz).

Mas há outras marcas interessadas no Firefox OS. No MWC 2014, estão expostos aparelhos de fabricantes como a LG ou a Huawei, que ainda não estão no mercado.

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No geral, o Firefox OS é parecido com os restantes sistemas operativos. Tem uma central de notificações em cima, tem apps no home screen, tem uma dock, tem uma barra de pesquisa e tem um lock screen. Nas notificações, por exemplo, é possível verificar quanto foi o nosso consumo de dados; existe uma app para isso também.

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A pesquisa é um dos pontos diferenciadores. Nela podemos pesquisar apps instaladas no aparelho ou não, e também websites. Por exemplo, escrevendo “U2” na caixa de pesquisa, é-nos dado o Spotify para ouvirmos as músicas da banda, o site oficial da mesma e o YouTube para vídeos. Podemos abrir qualquer uma dessas apps (o site oficial, note-se, é entendido como uma app também), sem termos de a instalar; no entanto, se quisermos ficar com a app para futuro, basta pressionar o ícone durante uns segundos e instalá-la no home screen.

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Todavia, não há como escapar. Mal olhamos para o Firefox OS sentimos ali um sistema operativo frágil e imaturo. Também os telemóveis onde ele corre são muito fracos, parecem a primeira geração de smartphones que apareceu no mercado. Mas tem o low-cost de significar pouca qualidade?

Não se conseguirá desenvolver um sistema operativo não baseado em web apps, mas em apps nativas, com alguma substância e solidez, capaz de correr em aparelhos baratos, com baixas especificações (mas, talvez, não tão baixas)?

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