Erdogan fechou o Twitter na Turquia


Esta noite, o acesso ao Twitter foi banido na Turquia por decisão do Primeiro-Ministro daquele país, Recep Tayyip Erdogan, que horas antes, num comício eleitoral em Bursa, prometera “erradicar” a rede social no país. Erdogan foi há 3 semanas, devido à difusão nas redes sociais de registos de conversas telefónicas pirateadas, implicado num escândalo de corrupção com várias figuras do poder islamista moderado da Turquia.

Pode dizer-se que Erdogan ameaçou e cumpriu. Eram 22 horas em Lisboa, meia-noite locais, quando os turcos ficaram sem conseguir tweetar. A Direcção de Telecomunicações da Turquia bloqueou o acesso ao Twitter, por ordens da Procuradoria de Istambul. O bloqueio aconteceu da propagação através do mesmo de escutas telefónicas que envolvem o Primeiro-Ministro turco directamente num escândalo de corrupção.

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Apesar de as considerar “montagens”, Erdogan acabou por confirmar a veracidade de algumas das gravações de supostas conversas telefónicas entre o primeiro-ministro e o seu círculo próximo de governantes. O escândalo agitou a oposição e colocou milhares de pessoas nas ruas a exigirem a demissão de Erdogan. “Vamos suprimir o Twitter. A comunidade internacional pode dizer isto ou aquilo, não me interessa minimamente. Todos irão ver o quão poderosa é a Turquia”, disse Erdogan a milhares de apoiantes num comício eleitoral para as municipais de dia 30. “Twitter, mwitter!” (tradução livre: “Twitter, uma ova!”).

A banição do Twitter na Turquia foi um simples bloqueio de DNS, como explica o The Verge:

Everyone browsing the web uses DNS. It’s a system that routes the domain name you type into your browser to the IP address of that site. Google provides a free DNS service that’s open to all, and with knowledge of this some Turkish citizens have begun to spread the word that using Google DNS will avoid the Twitter ban. Graffiti has shown up bearing the Google DNS “8.8.8.8,” and Twitter users have shared images showing the address with the hashtag #DirenTwitter.

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A Comissão Europeia já considerou o bloqueio um acto de censura, inútil e cobarde. Fora da Turquia, a hashtag #TwitterIsBlockedInTurkey tem sido nas últimas horas uma das mais mencionadas na rede dos 140 caracteres.

O Zaman, o jornal mais lido no país, escreveu hoje: “Grande golpe contra a liberdade: o Twitter está fechado”. O Zaman é próximo da confraria do poderoso imã Fethullah Gülen, que está em guerra aberta com Erdogan e que o primeiro-ministro acusa de ser o principal responsável pela montagem de uma “conspiração para o derrubar”.

No início de Março, Erdogan também ameaçou proibir o YouTube e o Facebook na Turquia, para que o povo turco “não fique escravo” dessas redes sociais.