Este adesivo transdérmico sabe quando precisas de tomar os medicamentos


Os cientistas desenvolveram um adesivo transdérmico que, recorrendo à mais inovadora nanotecnologia, consegue prever quando necessitamos da medicação e administrá-la.

“Esqueci-me de tomar os comprimidos! E agora?”. Quem toma uma medicação regular, por mais disciplinado que seja, corre sempre o risco de se esquecer. O cumprimento da terapêutica pelos doentes é um dos principais desafios que os médicos enfrentam ao nível da prescrição, já para não referir os possíveis efeitos adversos dos fármacos, a sobredosagem ou a adição que alguns fármacos provocam. Assim, as companhias farmacêuticas têm envidado esforços para reduzir ao máximo factores que possam interferir com o objectivo primário da medicação.

Na década de 80 surgiram os adesivos transdérmicos que tinham como vantagem em relação às outras vias de administração, o facto de permitirem uma administração da substância de forma gradual e controlada para a corrente sanguínea. Contudo, há aspectos a melhorar a fim de atingir uma medicina cada vez mais personalizada, sendo um desses aspectos o controlo da resposta do doente à medicação e a monitorização dos sinais vitais para saber se se deve baixar ou subir a dose. Nesse sentido, foi hoje anunciado na revista Nature Nanotechnology que podemos estar mais perto deste objectivo. Cientistas desenvolveram, na Coreia do Sul, um adesivo que liberta o fármaco e que, através da monitorização da contracção muscular e da temperatura corporal, regula a dose a libertar do mesmo.

Este adesivo, feito de nanomateriais flexíveis, possui incorporado sensores de sílica sensíveis ao calor produzido pelo nosso corpo, o que permite que o nosso próprio organismo controle o ritmo de libertação do medicamento. Estes sensores são assim sensíveis à contracção muscular e podem ser bastante úteis no tratamento da doença de Parkinson, doença provocada pela degeneração de um grupo de neurónios a nível cerebral, que tem como manifestação clínica mais exuberante e conhecida os tremores. Deste modo, o adesivo responderia às contracções musculares libertando uma dose adequada à situação.

O próximo passo para estes dispositivos parece ser a activação remota, que permitiria um controlo extremamente preciso da medicação do doente, quase como se este estivesse a ser monitorizado num serviço de internamento. Dae-Hyeong Kim, engenheiro biomédico na Seoul National University e co-autor do trabalho disse ao The Verge que “no futuro, componentes wireless irão ser instalados no adesivo, fazendo com que este se ligue a redes network”.

Esta tecnologia só deverá estar disponível no mercado daqui a cinco anos, segundo Kim, mas até lá o trabalho continuará para aperfeiçoar esta ideia com potencial para revolucionar a relação entre médico-terapêutica-doente e alcançar uma das próximas fronteiras no âmbito dos cuidados de saúde, a Medicina personalizada ao máximo.