GYC 2014: ser empreendedor no primeiro dia


Hoje não era esperada no palco. Contudo, Kelsey Falter surgiu como aquilo a que se pôde chamar de uma lufada de ar fresco entre as apresentações da GO Youth. “O Tiago [responsável] diz que tenho obrigação de vos saber animar porque sou de Nova Iorque”, afirmou em frente a uma plateia expectante. E a verdade é que soube. Entre gritos de guerra, sons estranhos e produção de batuques com os pés, a fundadora da Poptip contagiou todo o auditório do ISCTE com a sua extroversão.

gyc14_reportday15_02

gyc14_reportday15_04

Falter abriu as hostes ao seu companheiro Garrett Gee – fundador da Scan (a aplicação que através de códigos QR transpõe a barreira entre o mundo digital e o mundo real). “Quero ver se quando terminar a minha apresentação também reagem desta forma”, desafiou a plateia num tom divertido e provocador. Todavia, a verdade é que Gee não necessitava de grandes introduções. A sua figura descontraída e informal não tinha passado despercebida. Já havia quem o tivesse interrogado acerca dos seus chinelos de praia às riscas azuis e brancas – os mesmos que utiliza nas reuniões com possíveis investidores. “O meu primeiro encontro com a Google foi um desastre”, afirmou. Lembra-se de ter ido até S. Francisco de fato e gravata – de acordo com uma espécie de protocolo que um ex. professor lhe havia incutido – e apresentar a sua ideia com base em valores que nem ele percebia muito bem. “O que me move é o design e o produto em si!” e, por isso mesmo, no seu segundo encontro a abordagem foi outra.

gyc14_reportday15_05

Josh Miller, fundador da Branch (ferramenta de conversação por convite que possibilita a junção de comunidades com interesses semelhantes) é também um entusiasta do entusiasmo. “É quase obrigatório ter uma visão ampla do negócio. Não podemos ficar presos a uma procura pela solução perfeita, quando o que realmente importa é o nosso nível de envolvência com o problema.” Trata-se quase de uma contínua produção de oportunidades, que, para Miller, se criam com a orientação de um mentor – alguém independente do ensino regular. Contudo, deixou o conselho: “Digam sempre à vossa mãe que tencionam voltar a estudar, mesmo que não seja essa a vossa ideia.”

gyc14_reportday15_03

Ideia. A base de todas as apresentações e de todos os sucessos. Num mundo onde os telemóveis se queriam mais pequenos e os homens começavam a ter problemas em utilizar os polegares para escrever mensagens, alguém se lembrou de que se calhar era boa ideia implementar nestes aparelhos um sistema de voz. Esse alguém chama-se Adam Cheyer e esse sistema Siri. Ao contrário de Garrett Gee, Cheyer não é um apologista do simples. “Não nos podemos assustar com a tecnologia avançada! Se vamos produzir algo fácil, uma grande companhia pode fazê-lo por nós”, afirma. O segredo, defende, é utilizar tecnologia que se diferencie da já existente. Um raciocínio que lhe permitiu receber uma chamada do próprio Steve Jobs, no âmbito de uma parceria com a Apple. “Como é que conseguiste o meu número? – foi a única coisa que me lembrei de lhe perguntar”, afirmou entre risos. Mas Steve Jobs não foi o único a tentar estabelecer contacto com Cheyer. No início da apresentação, o orador mais aguardado não se conteve em elogios a Tiago Vidal – fundador do projecto GO Youth – pela sua “persistência educada”. “Recusei o primeiro convite do Tiago. No entanto, com um texto muito bem escrito ele respondeu-me afirmando que não aceitaria um não como resposta!”

gyc14_reportday15_06

No meio da plateia repleta, Ricardo Gaspar não abdica das perguntas aos oradores convidados. “O interessante é perceber que isto é o mundo real e que estas pessoas falham”, afirma. Daniel Matos, colega de Ricardo na Universidade Nova, destaca ainda o facto de, na sua opinião, esta espécie de mentores serem pessoas que se focam a 100% naquilo que as satisfaz – daí o seu envolvimento com os projectos. Dois assistentes que não são novos nestas andanças – ambos pertencentes ao projecto One Academy (academia de empreendedorismo na UN) – e que acreditam que este tipo de iniciativas vai muito para além da mente criativa. “Aqui fala-se de coisas da vida.”