GYC 2014: ser empreendedor no segundo dia


“Só vos quero avisar de que alterei por completo a minha apresentação”, afirmou Jimmy Soni mal entrou no palco. O managing editor do site noticioso The Huffington Post deu especial atenção às perguntas que os espectadores haviam feito, no dia anterior, aos outros oradores. Assim, explicou: “Vou antes ensinar-vos dez coisas que ninguém vos disse que precisariam de saber.”

gyc14_reportday16_02

O segundo dia da GO Youth começou com novidades para Portugal. Ao que parece, Sam Shank encontrou potencialidades no território luso para o desenvolvimento da sua aplicação Hotel Tonight (serviço que permite fazer marcações de última hora). Apesar de não na mesma sequência, David Noël também conseguiu provocar reacções positivas na audiência – o que já de si não era complicado, uma vez que se trata do manager da SoundCloud. Numa espécie de ateliê acerca de “como dar a resposta perfeita”, Noël afirmou que “é necessário compreender a ciência de um não que pode vir a ser um sim.” No mesmo contexto, Sheel Tyle da New Enterprise Associates (NEA) explicou que “o não significa duas coisas: ou que se pode tornar um sim ou uma proposta pouco clara.” O importante é mesmo “fazer aquilo que se promete fazer”, palavras da mais do que oradora – animadora da conferência – Kelsey Falter.

gyc14_reportday16_03

“Os nossos hábitos fazem de nós aquilo que nós somos”, declarou Jimmy Soni ao tentar convencer a plateia, maioritariamente jovem, de que se trata de uma máxima que realmente corresponde à verdade. “As formas mais completas de aprendizagem obtêm-se através da leitura. Existem livros que vos conseguem ensinar coisas que não aprenderiam com mais ninguém. Quanto mais elevada for a vossa dedicação à leitura, maior será a vossa capacidade de educar o raciocínio.” A forma divertida como proferiu esta espécie de condenação fazia com que quem estivesse sentado nas cadeiras vermelhas do auditório do ISCTE conseguisse, sobretudo, visualizar o seu sorriso branco. “Têm de prestar atenção às pessoas que estão à vossa volta e, assim, apostar na diversidade.”

Já depois do almoço, Kelsey Falter voltou a fazer das suas. Tendo como base as práticas indígenas encenadas no dia anterior, decidiu dedicar uns minutos da conferência à invocação da chuva. Desta forma, e sem precisar de dar grandes explicações, pôs toda a plateia a produzir um conjunto de sons distintos – estalidos de dedos, gritos, batuques – que ouvidos em conjunto se assemelhavam aos sons de um dia de temporal. Com o auditório a meia-luz, a maestrina Falter corria de um lado para o outro, no palco de madeira, aproveitando os seus saltos agulha para adicionar alguma trovoada à coisa. Toda a encenação terminou com o grande estrondo provocado pelo derradeiro salto – o trovão final.

gyc14_reportday16_04

A chuva terminou, mas, no auditório, o clima adensou-se. “É mais difícil entrar em contacto com um CEO em Portugal do que com o Adam Cheyer [SIRI]”, afirmou Tiago Vidal numa apresentação – a fugir para a conversa – já perto do fim do evento. Quem o ouvia era Josh Miller (Branch), o orador que mais sensação provocou no público, quer pelas suas frequentes intervenções nas palestras, quer pela sua dedicação aos gostos portugueses – trocara a sua camisa azul do dia anterior por uma camisola verde e branca com o emblema do Sporting Clube de Portugal.

Quando o evento acabou já estava escuro. Em Nova Iorque isso não quereria dizer nada para além da ausência de sol. Esta foi a cidade que Kelsey Falter escolheu para se fazer notar. E foi o que aconteceu – depois de muitos pequenos-almoços no McDonald’s e de ter trocado o café real por cápsulas de cafeína. “Era o que podia fazer com o meu orçamento da altura”, contou na sua apresentação. A menina que aos oitos anos dispensou o pónei e implorou um domínio na internet era atraída pela variedade de pessoas daquela cidade – conhecer para dominar. Hoje é caso para dizer que todos aqueles rituais ajudam – mais que não seja à boa disposição. “Nada como um pouco de magia negra”, havia já dito Garrett Gee no dia anterior.