iTunes no Android?


Diz a revista Billboard que a Apple está a trabalhar numa versão do icónico iTunes para Android, com o objectivo de alavancar novamente as vendas de música. A concretizar-se será a primeira vez que a Apple abre o seu ecossistema a outras plataformas móveis.

Segundo a Billboard, a Apple está a trabalhar numa versão do iTunes para o sistema operativo Android. A ideia é, dizem, não só levar a tradicional loja do iTunes para o Android, como também introduzir neste o iTunes Radio, o serviço gratuito de internet radio que a Apple introduziu no ano passado no iOS e OS X. Caso se verifique o rumor, estaremos perante algo nunca antes visto na história da Apple, uma mudança radical na estratégia da empresa!

Com o iTunes no Android, a Apple estará a competir directamente com serviços como o Google Play Music e o Spotify. Enquanto este último apenas tem streaming de música, o primeiro permite também a compra de música pelo utilizador. Ambos são gratuitos e multi-plataforma, tendo, por isso mesmo, assistido a um crescimento repentino nos últimos tempos. Principalmente o Google Play Music, que chegou há uns meses ao iOS.

O assunto do iTunes no Android não é propriamente novo. Em 2011, quando interrogado sobre a possibilidade de uma versão da loja do iTunes para o Android, Steve Jobs respondeu “Nós já pensámos se seria viável ou não uma versão para o Android. Nós pusemos o iTunes no Windows para vender mais iPods. Mas não vejo qualquer vantagem em colocar a nossa própria aplicação de música no Android a não ser para fazer os seus utilizadores mais felizes. E eu não os quero fazer felizes.”. Estas palavras faziam todo o sentido há 3 anos quando o mercado de venda de músicas digital crescia a passos largos. Neste momento, as palavras de Tim Cook parecem ser mais acertadas. “Não temos cepticismo algum em importar uma aplicação do iOS para o Android se isso fizer sentido”, disse o actual CEO da Apple.

Claramente Tim Cook não quer tomar uma decisão extremista numa altura em que as vendas de musica digital é um mercado cada vez menos promissor devido aos sistemas de streaming. Ainda assim temos exemplos de sucesso como é o caso do último álbum surpresa de Beyoncé que, só nas primeiras horas, teve downloads e downloads no iTunes. Na verdade, este tem funcionado como um hub para os artistas fazerem lançamentos exclusivos ou em primeira mão; esta exclusividade faz parte da estratégia da Apple para potenciar as receitas na plataforma.

É certo que a estratégia de venda e operabilidade da Apple sempre se baseou na exclusividade de conteúdo, com sistemas operativos extremamente fechados e com regras muito bem definidas para os seus developers. Até agora esta estratégia tem funcionado aparentemente bem. No entanto as mensalidades de agora parecem mais inclinadas para um mundo onde o consumo é imediato e instantâneo. Serviços como o Spotify oferecem isso mesmo, a capacidade de o utilizador ter acesso a virtualmente qualquer conteúdo musical. O paradigma do iPod, com todas as nossas músicas guardadas, está lentamente a ser ultrapassado.

Deixo a pergunta em aberto, será uma decisão acertada a Apple abdicar da exclusividade da sua loja de música em prol das receitas e dos novos utilizadores?