Brendan Eich pode ser homofóbico, mas não CEO da Mozilla


Homofobia: justa causa de despedimento. Há histórias que fazem questão de nos lembrar de que o mundo está a mudar. E, neste caso, para melhor. Se houve tempos (será que ainda os há?) em que a homossexualidade era motivo, directo ou implícito, para despedir alguém, a Mozilla mostrou-nos que hoje também é possível acontecer o contrário. Não, ninguém foi despedido por ser heterossexual. Antes sim, por ser homofóbico.

Brendan Eich é o antagonista da sua própria história. Recém-nomeado presidente executivo da Mozilla, começou a suscitar polémica devido ao seu envolvimento público em movimentos anti-gay. O caso remonta a 2008, ano em que Eich financiou uma campanha contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, na Califórnia. Eich doou mil dólares para apoiar a “Proposition 8”, uma emenda constitucional levada a sufrágio nas eleições estaduais, em novembro de 2008, na Califórnia, e que acabou por ser aprovada, chumbando a legalização do casamento gay naquele estado norte-americano.

Com a nomeação de Eich como presidente-executivo da Mozilla, vários sites de encontros gay começarem a apelar a um boicote ao browser, Firefox, por causa do seu CEO ser um ativista anti-casamento gay. Os protestos atingiram tamanho grau de propagação que levaram Mitchell Baker, presidente da empresa, a intervir e a levar Brendan Eich a pedir a demissão. “Sabemos por que razão as pessoas estão magoadas e zangadas e elas têm razão. É porque não nos mantivemos fiéis a nós próprios”, escreveu a presidente da empresa num post no blogue da companhia. “Não agimos como se espera que a Mozilla actue. Não agimos tão rapidamente quanto era necessário desde que a polémica começou. Pedimos desculpa. Temos de fazer melhor.”

A Mozilla mostra assim que as mais valias de um currículo – no caso de Brendan Eich, a invenção da linguagem de programação Javascript, por exemplo – não valem nada quando esse mesmo currículo carrega uma nódoa tão grande como a homofobia. E isso é o mais importante: o sinal de que, a partir de agora, de homofóbicos não vai rezar a história.

O sucessor de Brendan Eich vai ser conhecido esta semana.