O estímulo eléctrico certo pode dar-te controlo dos teus sonhos


Todos nós já acordámos com a sensação de que o sonho que acabámos de ter teria sido muito melhor se pudéssemos interferir no decorrer da história. Mas parece que essa sensação de impotência poderá estar prestes a acabar, criando aquele que pode ser o caminho para a história que nos contou Christopher Nolan em Inception (2010).

Num estudo divulgado online na Nature Neurocience, a psicóloga Ursula Voss (da Universidade J.W. Goethe de Frankfurt, na Alemanha) revela ter induzido alguns pacientes em sonhos lúcidos, através da aplicação de corrente eléctrica no cérebro, dando a estes a possibilidade de mudar o rumo do seu sonho, mantendo-os conscientes de que o estariam a fazer.

Nesse estudo, Voss diz que, induzindo ondas cerebrais em frequências específicas, é possível mantermo-nos lúcidos enquanto vagueamos num sonho em que podemos tomar decisões próprias, tomando assim as rédeas de histórias normalmente presas e comandadas pelo nosso subconsciente.

Este estado de consciência foi comprovado pelos electroencefalogramas realizados às cobaias deste estudo. Aliás, esses mesmo electroencefalogramas foram precisamente o que despertou a curiosidade da equipa de Voss. As ondas gamma reveladas por este tipo de exame, detectadas em pessoas enquanto sonham, trouxeram uma pergunta a este grupo de psicólogos alemães: o que aconteceria se essa mesma frequência fosse induzida em pessoas conscientes? Foi deste princípio que partiram para consumar esta experiência que produziu resultados surpreendentes nas 27 pessoas em que foi testado, sempre sob monitorização dos psicólogos.

Ainda assim, Ursula Voss não vê estes resultados como uma via aberta para um “negócio de sonhos lúcidos”. Segundo o seu ponto de vista, nenhum dos aparelhos actualmente disponível no mercado funciona correctamente. Para além disso, o facto de todos estes testes serem monitorizados por especialistas é algo que qualquer pessoa que pense em experimentar deve ter em conta.

Mas as boas notícias relativas a esta descoberta são mais entusiasmantes do que esta parte próxima da ficção científica. A utilização desta experiência em pessoas diagnosticadas com stress pós-traumático pode ajudá-las a ultrapassar esse problema.

Oferecendo a possibilidade a essas pessoas de encarar um sonho ou alucinação de forma consciente, permitir-lhes-ia tomar decisões importantes no decorrer dos episódios traumáticos que vivem, dando-lhes assim a segurança que precisam para ultrapassar esse problema. Viver o trauma de uma forma consciente e conseguir controlar o que acontece nos episódios traumáticos, poderá libertar os pacientes do medo que acaba normalmente por ser a origem do distúrbio.

Ainda que não haja (para já) a possibilidade de interacção entre diferentes pessoas e sonhos, como vemos em Inception, este pode ser o início de uma experiência mental capaz de fazer muita gente gastar algum dinheiro para poder realizá-la.