Pássaros da área de Chernobyl adaptaram-se a baixos níveis de radiação, indica estudo


Chama-se evolução. E é difícil de ser registada. Mas um grupo de cientistas – liderado por Timothy Mousseau da Universidade da Carolina do Sul, Anders Moller do CNRS, em França, e Ismael Galván do Doñana Research Station, em Espanha – acredita que os pássaros que vivem perto de Chernobyl, onde há 28 anos aconteceu um dos maiores desastres da história da Humanidade, se adaptaram a baixos níveis de radiação.

As conclusões são de um estudo levado a cabo pelo grupo de investigações e agora publicado na revista científica britânica Functional Ecology. Os cientistas analisaram os efeitos a longo prazo de pequenas doses de radiação nas populações de pássaros existentes perto de Chernobyl, na Ucrânia.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os pássaros naquela área sobreviveram mais facilmente que os da zona de Fukushima, no Japão, onde um sério acidente nuclear aconteceu em 2011. Os investigadores acreditavam que tal aconteceu porque os pássaros de Chernobyl tiveram mais tempo para se adaptarem à radiação, pelo que decidiram testar esta teoria recolhendo amostras de penas e sangue de 13 espécies diferentes de pássaros, a viverem em áreas de baixa ou alta radiação junto do reactor ucraniano.

A equipa de Mousseau, Moller e Galván verificaram que os pássaros em zonas de alta radição tinham uma elevada quantidade de glutatião no sangue. O glutatião é um antioxidante que ajuda os animais a livrarem-se das moléculas altamente reactivas e perigosas que são criadas quando a radiação entra em contacto com os tecidos biológicos.

Além disso, altos níveis de glutatião foram relacionados com a quantidade reduzida de alterações genéticas nas células dos pássaros. Por outras palavras, estes resultados indicam que a exposição constante à radiação tem favorecido a adaptação dos pássaros para os efeitos nocivos da radiação.

É, de facto, notável que os pássaros se tenham adaptado aos níveis de radiação. O glutatião vai agora perpetuar pelas gerações seguintes.