Astrónomos descobrem planeta 17 vezes mais maciço que a Terra, chamam-lhe ‘Godzilla’


É  como a Terra, mas 17 vezes mais maciço. É uma mega-terra, como lhe chamaram os cientistas. Ou, ainda, o “Godzilla das Terras”. Trata-se de um planeta extra-solar rochoso que tem uma massa em muito superior à da Terra. É ainda muito maior que as super-Terras que têm vindo a ser encontradas à volta de outras estrelas que não o nosso Sol.

“É o Godzilla das Terras!”, diz Dimitar Sasselov, director do programa sobre as origens da vida na Universidade de Harvard, nos EUA. “Mas, contrariamente ao monstro do filme, Kepler-10c tem implicações positivas para a vida”, acrescenta o investigador.

O mega-planeta – de composição sólida rochosa – está a 560 anos-luz de distância da Terra; foi detectado pelo telescópio espacial Kepler, lançado em 2009 pela NASA. O Godzilla (ou Kepler-10c) tem 29 mil quilómetros de diâmetro (2,3 vezes o diâmetro da Terra) e demora 45 dias a completar uma órbita a uma estrela semelhante ao nosso Sol, localizada na constelação do Dragão.

“A descoberta de Kepler-10c é a prova de que os planetas do tipo terrestre se formaram muito cedo na história do Universo”, diz Dimitar Sasselov. “E quem diz planetas rochosos diz a possibilidade de aparecimento da vida.”

O Godzilla não é o primeiro planeta extra-solar (isto é um, um planeta situado num outro sistema solar). Esse foi descoberto em 1995 por uma equipa suíça. Desde então, a lista de planetas extra-solares foi crescendo; hoje tem cerca de mil. Os primeiros encontrados eram gigantes feitos de gases, como Júpiter. Mas em 2004 detectou-se a primeira super-Terra, um planeta rochoso como o nosso.

Mas até hoje, os cientistas não encaravam a existência de um “monstro rochoso” como o Godzilla. Isto porque quanto maior é um planeta, maior é a sua atracção gravitacional, o que não só esmaga não os materiais sólidos, como também atrai grandes quantidades de hidrogénio, transformando o planeta num gigante gasoso (como Júpiter).

O telescópio Kepler – que, entretanto, deixou de funcionar – conseguia identificar planetas, mas não distinguir os gasosos dos rochosos. O tamanho do Godzilla sugeria tratar-se de uma categoria de planetas conhecidos como mini-Neptunos, cobertos por uma camada espessa de hidrogénio e hélio.

Posteriormente, um telescópio nas ilhas Canárias conseguiu determinar que a massa deste mega-planeta, conduzindo à conclusão de que ela era 17 vezes superior à da Terra. Tal valor era em muito superior àquilo que se supunha, mostrando que o Kepler-10c devia ter uma composição densa de rochas. O mega-planeta conservou a atmosfera ao longo da sua evolução, porque é suficientemente maciço para que a atmosfera pudesse escapar.