Esta é a bola do Mundial, chama-se Brazuca


O Mundial está quase a começar e é muita a expectativa para ver que jogadores vão brilhar, observar as revelações e, finalmente, saber quem sucederá à Espanha como campeã do Mundo. E se todos esperamos ver os artistas do futebol no seu melhor, a verdade é que também esperamos uma bola à altura dos craques que pisam os relvados. A bola deste FIFA World Cup 2014 chama-se Brazuca e é mais uma vez produzida pela Adidas, que, desde o México ’70, tem a responsabilidade de apresentar as bolas para os grandes eventos.

A bola foi produzida com a tecnologia de ponta na área e a sua concepção revestiu-se de extrema importância, devido ao facto de as críticas às últimas criações da Adidas não serem de todo positivas. Aliás, a bola do Mundial de 2010, a Jabulani, foi bastante criticada tanto por jogadores como por treinadores, que denuciavam a instabilidade do esférico e a imprevisibilidade da sua trajectória.

Guarda-redes consagrados como Casillas, Buffon e Júlio César manifestaram o desagrado relativamente à bola pela incerteza na trajectória e os jogadores de campo queixaram-se da falta de precisão de passe obtida com a Jabulani. A única crítica positiva é capaz de ter sido mesmo a do ex-seleccionador Carlos Queirós que, após a vitória de 7-0 frente à Coreia do Norte, declarou: “Nós adoramos a bola!”.

Deste modo, e para evitar que a bola se tornasse um assunto quase tão grande como o próprio jogo, a Adidas desenvolveu esforços no sentido de aperfeiçoar a Brazuca. O primeiro passo foi tratar da questão da oscilação da bola durante a sua trajectória no ar. Normalmente as bolas oscilam a 30 mph (equivalente a quase 50 Km/h) e o que se verificou é que esta velocidade era bastante superior com as bolas do Mundial de 2006 e de 2010, o que se traduzia numa bola mais instável e mais oscilante.

Para resolver isto, os engenheiros da marca alemã diminuíram o número de painéis utilizados na manufactura da bola: a Teamgeist (bola de 2006) tinha 14, a Jabulani tinha 8, a Brazuca tem apenas 6 painéis. Estes painéis de poliuterano são unidos termicamente, e, assim, se reduz o número de costuras na bola, criando uma interface mais suave, permitindo que a bola se desloque a velocidades superiores antes de começar a oscilar. Para além disso as próprias costuras da Brazuca também esticam mais quando sujeitas a forças de aceleração, permitindo uma maior estabilidade do esférico.

Matthias Mecking, engenheiro da Adidas, revelou à BBC “Realizámos extensas análises ao padrão de trajectória da bola e os resultados evidenciaram padrões constantes e previsíveis, com desvios dificilmente observáveis”.

Outra crítica, mais ouvida por parte dos atacantes, prendia-se com a dificuldade em dar o efeito pretendido ao esférico. Isto devia-se em parte ao facto de a bola ser mais suave, o que diminui a fricção entre a bota dos jogadores e a própria bola. As costuras mais profundas e mais extensas introduzidas agora na nova bola, aumentam a superfície de contacto e procuram resolver este problema. Recorde-se que por exemplo, Cristiano Ronaldo, mestre dos livres que se celebrizaram como Tomahawks, não conseguiu que nenhum dos seus livres atingisse o alvo nos quatro jogos que Portugal fez no torneio da África do Sul.
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Todas estas inovações tecnológicas pretendem trazer de volta o controlo da bola pelos artistas, e esquecer as críticas que obscureceram o último grande evento futebolístico. A Copa está aí e, pelo menos até agora, as opiniões são unânimes em considerar que a Brazuca está à altura do desafio.