Kodomoroid e Otonaroid: o Homo Sapiens Android


O especialista em robótica e professor universitário Hiroshi Ishiguro quer analisar a questão fundamental do que é ser humano. E isto de resumir o ser humano a uma “questão fundamental” tem muito que se lhe diga. Há, de resto, uma certa componente sociológica subjacente a este caso em que a zona cinzenta entre máquinas e humanos se adensa cada vez mais sobre si própria.

Mas vamos à notícia propriamente dita: no Japão, um museu apresentou esta semana as mais recentes contratações. Duas funcionárias que tiveram direito a apresentação oficial. Porquê? Porque as duas funcionárias são na realidade duas andróides capazes de atender o público, mover-se e falar. As sobrancelhas movem-se, os olhos pestanejam, as cabeças acenam à mesma medida que as palavras fluem, com uma eloquência bastante satisfatória e sem atropelos.

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Kodomoroid tem incumbida a tarefa de ler as notícias mais recentes aos visitantes do museu (através de uma ligação à internet). Otonaroid vai ser controlada pelo público. Estas duas robôs começaram esta semana a trabalhar no Museu Nacional de Ciências e Tecnologia de Tóquio e foram criadas pelo Hiroshi Ishiguro, o sociólogo das máquinas que abriu este artigo.

“Teremos cada vez mais robôs na nossa vida futura”, disse ele à AFP, acrescentando que estes avanços exploram o que é ser humano e examinam “a questão do que é a emoção, a consciência, o pensamento”.

Otonaroid
Otonaroid
Kodomoroid
Kodomoroid

Não há volta a dar, as máquinas já nos fazem concorrência. Como se isto da selecção natural (bendito Darwin!) e dos últimos milhões de anos de evolução da espécie fossem uma espécie de concurso, que agora é ganho aos pontos por estes robóticos do oriente.

Na apresentação, a robô Otonaroid admitiu à audiência que estava “um pouco nervosa”. Não és a única, Otonaroid. Por causa de ti, humanidade também está.