Afinal de contas, o iPad é apenas um “iPhone grande”?


As vendas de iPads não param de cair. A Apple vendeu 13,27 milhões de unidades no segundo trimestre deste ano, uma redução de 9% face ao trimestre entre Janeiro e Março. No segundo trimestre de 2013, as vendas já tinham caído 14% (foram vendidas 14,6 milhões de unidades), em forte contraste com o que aconteceu há dois anos, quando o iPad disparou 84%.

Tim Cook referiu que os números estão de acordo com as expectativas da empresa, apesar de “não estarem de acordo com as vossas”, disse, dirigindo-se aos analistas.

No gráfico em baixo, é bem perceptível a diferença entre a linha de crescimento do iPhone e a do iPad. Este começou a ter uma propagação tão rápida como o do iPhone, destronando por completo a industria tradicional de portáteis, mas depois estabilizou.

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iPad, o novo iPod?

O iPad pode estar prestes a tornar-se no novo iPod. O motivo? Telemóveis com ecrãs de grandes dimensões (de 5 polegadas ou mais), fabricados, por exemplo, pela concorrente Samsung, mas também pela LG, pela Sony e por outras tantas marcas. Por que motivo irei eu comprar um iPad de 7 polegadas se tenho um telemóvel de 5?

Mesmo a própria Apple está alegadamente a preparar o lançamento de um iPhone com um ecrã maior, de 5.5 polegadas. No caso de o rumor se concretizar, o fosso entre iPhone e iPad ficará ainda mais pequeno.

A pergunta que se impõe: precisamos mesmo do iPad? Quando Steve Jobs apresentou pela primeira vez o tablet em 2010, disse que ele era melhor que os telemóveis e que os portáteis em inúmeras coisas, não só por ter um ecrã maior que os primeiros, como também por ser mais portátil e simples que os segundos. Jobs disse, na altura, que o iPad era melhor para navegar na internet, consultar e-mails e ver vídeos.

O iPad não é tão portátil como o iPhone, nem tão útil como o MacBook Air

Mesmo com um actual pequeno ecrã de 4 polegadas, um iPhone não pode fazer isso? O iPhone é mil vezes melhor que o iPad, até porque a maioria das apps estão optimizadas para iPhone. O ecrã é pequeno, mas não muito, cabe na mão, é cómodo. Dá para usar no sofá, na cama, no autocarro, no trabalho. O iPad é demasiado gigante.

Por outro lado, muitas das apps mais populares estão optimizadas apenas para iPhone. É o caso do Paper, do Instagram, do Vine, do Snapchat, do WhatsApp, do VSCO Cam e do Foursquare. Mas há outra tendência: os programadores parecem cada vez mais preocupados apenas com o iPhone, com a experiência no iPhone. Basta olhar para as diferenças entre as versão iPhone e a versão iPad de apps como o Spotify, o Skype ou o Facebook.

Se queremos uma experiência mais completa, temos o portátil. Que ninguém diga que o iPad é melhor para trabalhar que um MacBook. As apps não são tão aperfeiçoadas, os ficheiros são pouco “palpáveis”, e nada substitui um rato e um teclado. Nada mesmo.

Basta perguntar a qualquer estudante: o que preferes levar para a faculdade, um iPad ou um MacBook?

Mas em 2014, a Apple precisa de mudar o seu argumento relativamente ao iPad. Os tablets não são tão portáteis como os smartphones, nem tão úteis como os computadores. A Apple terá de transformar o iPad num MacBook mais pequeno.

O tablet tem um ciclo de vida mais longo

Mas há outros motivos que podem explicar este não crescimento do iPad: os tablets baratos da concorrência. O Nexus 7 da Google, por exemplo, é considerado por muitos o melhor tablet do mercado e custa apenas 299 dólares. A Samsung tem tablets de 10 polegadas (o mesmo tamanho que o iPad Air) por esse mesmo preço. O iPad é caro.

Por outro lado,  se as pessoas trocam de telemóvel com a frequência de 1/2 anos. A troca de tablet é superior. Um iPad com 3 ou 4 anos ainda funciona. As pessoas não precisam de um iPad novo todos os anos.

Além disso, ao contrário dos smartphones, os tablets são partilháveis. Numa família de quatro pessoas, pode existir apenas 1 tablet, mas 4 iPhones.