Células intestinais modificadas podem ser usadas no tratamento da diabetes


A Nature Communications apresentou na semana passada os resultados do estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores americanos da Universidade de Columbia. Cientistas conseguiram transformar células intestinais em células produtoras de insulina, abrindo caminhos a novas abordagens relativamente ao tratamento da diabetes.

O método em si foi simples: os investigadores recriaram um modelo de intestino humano a partir de células estaminais. Seguidamente, inactivaram um gene previamente identificado, o FOXO1, que se sabe estar relacionado com o controlo metabólico na célula. E o resultado foi exactamente o pretendido, verificando-se que as células modificadas passaram a produzir insulina em resposta à presença de glicose.

O método apresenta-se como inovador e com potencial para substituir as células β pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina e que se encontram destruídas na chamada diabetes insulino-dependente. A produção de células β pancreáticas a partir de células estaminais foi outro método testado ao longo da última década mas, para além de ainda não ter apresentado resultados consistentes, tem uma desvantagem relativamente a esta nova técnica, uma vez que requer transplantação.

Domenico Accili, professor de medicina no Columbia University’s Naomi Berrie Diabetes Research Center em Nova Iorque, não escondeu o entusiasmo relativamente aos resultados numa entrevista à Bloomberg: “Nós mostrámos que podemos fazer isto em tecidos humanos e estamos muito animados pelo facto de um único alvo conseguir desencadear todo este processo.”

O próximo objectivo de Accili e da equipa é agora desenvolver um composto farmacológico que consiga actuar sobre as células intestinais in situ e promover o silenciamento do gene FOXO1. O cientista mostrou-se optimista quanto a esta possibilidade, revelando que dentro de 1 ou 2 anos um composto deste género poderá estar disponível para ensaios clínicos de fase I.

Recorde-se que a diabetes é uma das doenças com maior prevalência no mundo ocidental; os dados mais recentes do estudo PREVADIAB indicam uma prevalência em Portugal na ordem dos 12,3% e um encargo que representa 8% da despesa em saúde.

Caso todo este processo salte do laboratório para o mundo cá fora, oferece novas perspectivas para toda uma população diabética que necessita de injecções diárias de insulina, melhorando de forma substancial a sua qualidade de vida.