Diz que há comédia no NOS Alive


 

A Caixa está moderna e a inovar. Ou pelo menos, nas palavras de Francisco Viana – director de comunicação e marca da Caixa Geral de Depósitos -, caminha nesse sentido. O estatuto de banco oficial do NOS Alive já permitia uma aproximação a novos públicos. Contudo, nada como a presença física do banco no festival – não com os seus balcões ou cofres, mas a ocupar 900m² do recinto com uma espécie de jardim composto por pessoas que se querem rir.

O que vai acontecer: “Vamos ficar com os gajos porque as gajas vão todas ver os músicos”, disse António Raminhos numa tentativa de explicar o que é que vai ser isto do jardim. Não estava no palco – que se podia ver em segundo plano –, mas mais ou menos a meio do espaço, com os seus colegas, rodeado por bancos tipo paletes com uma almofada azul por cima – que cor é que haveria de ser? – onde se sentavam uns quantos jornalistas com os olhos postos no grupo de comediantes. Mesmo com o chão forrado de um verde sintético, este jardim tem um ar de estufa – culpa das protecções brancas em estilo de abóbada que cobrem toda a área.

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O Nilton não concorda e responde um fala por ti! – sem precisar de se repetir. Mais: é o Nilton quem se chega à frente com a conversa (séria) das novas gerações. Acontece que isto do jardim também envolve oportunidades para quem se quiser iniciar na vida de humorista. Faz Comédia no Jardim Caixa é um concurso onde os novos talentos podem actuar junto dos velhos. Ao todo, são escolhidos nove vencedores – apresentados ao longo dos três dias do festival.

“Sou contra esse passatempo”, afirma César Mourão – actor, com uma tendência humorística, conhecido essencialmente pelo seu trabalho em televisão. “Há bandas que vêm ao NOS Alive que são bandas pequenas, que começaram por um concurso do género e que depois se transformaram em grandes bandas. Aqui pode acontecer o mesmo. Só que melindra-me um bocadinho porque fazem sempre isso com a comédia – parece tudo muito fácil. Há ali um concurso e vai também p’rali um comediante fazer coisas. Mas é comediante por que razão?” César Mourão, uma voz que discorda, mas também uma voz que canta (mesmo). Neste jardim vai apresentar o seu mais recente projecto Cantado ninguém acredita – coisas que envolvem música, pessoas e gargalhadas. “Ninguém me convidou para o palco principal. Não percebo porquê.”

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Catarina Matos – comediante portuguesa que há dois anos se instalou no Brasil – apontou para a barriga de Eduardo Madeira quando falou na equipa de peso que compõe o cartaz do Jardim Caixa. Este abordou a relação das novas gerações com a comédia: “é o novo rock – os miúdos andam todos entusiasmados”. Manuel Marques (quem é que não conhece Os Contemporâneos?), que ainda não tinha chegado, deu ares de sua graça e Madeira, dando continuidade às piadas com miúdos, não perdeu a oportunidade: “chegou Manuel Marques, rapaz que é patrocinado pela Cenoura [marca de roupa destinada a crianças]”.

A Caixa convenceu António Raminhos – “Para mim é um prazer estar aqui, porque tenho conta na Caixa”. Talvez continuem a apostar em métodos persuasivos. Para já, complementam o festival NOS Alive com (jardim?) uma “selecção nacional do humor, mas em bom estado físico”, segundo Álvaro Covões – director geral da Everything is New.

Há ainda que salientar que Aldo Lima está solteiro.

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