Coco, o hacker de quatro patas


Enquanto os países do mundo se preocupam com questões de espionagem relacionadas com escutas telefónicas, agentes infiltrados e hackers, eis que nasce, de forma discreta (mas já não muito discreta), uma nova raça de espiões: gatos que descobrem pontos fracos nas redes Wi-Fi da vizinhança.

Gene Bransfield, investigador na empresa de consultoria de segurança Tenacity, criou uma coleira especial para o gato da sua sogra. Com um chip Spark Core programado com software codificado pelo próprio, um cartão de Wi-Fi, um pequeno módulo de GPS e uma bateria incorporados, Bransfield transformou o siamês Coco num pequeno “pirata” capaz de ler e identificar as redes sem fios com tipos de segurança mais fracos que se encontrem nas proximidades.

A ideia surgiu durante um dos seus briefings, quando um participante lhe mostrou uma coleira que, através de um sistema de GPS, permite que os donos encontrem rapidamente os seus animais de estimação enviando apenas uma mensagem de texto. “Tudo o que precisava era de um ‘farejador’ de Wi-Fi”, disse o investigador e fã de felinos à revista Wired, explicando ter achado a ideia hilariante.

Coco provou ser um espião muito eficiente e multifacetado: durante as três horas em que andou a tratar dos seus afazeres de gato pelo bairro, arranjando tempo para caçar um presente para a dona Nancy, identificou 23 hotspots de Wi-Fi dos quais mais de um terço utilizava WEP, um tipo de criptografia wireless frágil e ultrapassada.

Esta experiência revelou excelentes oportunidades para os “parasitas” de Wi-Fi continuarem a subsistir e o mesmo número de incentivos para os clientes dos serviços de Internet fazerem um upgrade para sistemas mais modernos com segurança WPA. “[…] o resultado desta investigação felina foi [a descoberta de] que existem muito mais hotspots abertos com criptografia WEP do que deveriam existir em 2014″, contou o criador do dispositivo à revista norte-americana.

Este fim-de-semana irá realizar-se a conferência sobre hacking DefCon, em Las Vegas, e, claro, Gene Bransfield lá estará a apresentar a coleira WarKitteh, que se traduz mais ou menos em “Gatinho de Guerra”. O título da sua palestra é muito apropriado para o nome do seu produto, How To Weaponize Your Pets (“Como Usar Os Seus Animais Como Uma Arma”), mas, apesar dos nomes alarmantes, Bransfield assegura que a coleira não representa nenhum perigo real, tanto para as comunidades como para os adoráveis cúmplices de espionagem que promete criar.

Bransfield explicou ainda à Wired que a engenhosa coleira foi feita para fins de entretenimento do público hacker: “A minha intenção não era mostrar às pessoas onde encontrar Wi-Fi grátis. Coloquei alguma tecnologia num gato e deixei-o andar por aí porque achei piada à ideia”.

A confecção do dispositivo custou menos de 100 dólares e o criador de WarKitteh espera que, além de divertir o público, a coleira faça com que mais atenção recaia sobre questões de segurança doméstica, graças à fama virtual conquistada pelos gatos do mundo: “Talvez seja bom se as pessoas se aperceberem de que um gato é capaz de identificar os hotspots de Wi-Fi abertos”.

Foto: Gene Bransfield / Wired

Fonte: Wired