Foto de uma luta no Parlamento ucraniano parece uma obra de Arte Renascentista


O que começou por ser uma cena de violência no Parlamento ucraniano transformou-se na mais recente obra de Arte Renascentista, quando uma fotografia tirada no sítio certo à hora certa entrou em circulação na Internet, ganhando visibilidade através do artista James Harvey, que a partilhou no Twitter, e caindo em cheio nas plataformas Reddit e Imgur.

De uma imagem carregada de agressividade, atribuída ao fotógrafo Valentyn Ogirenko, da Reuters, a uma belíssima peça que se enquadra nos moldes do Renascimento, os peritos (e os não tão peritos) em arte rejubilaram à volta da fotografia, que se tornou notícia para jornais como The Huffington Post, The Guardian e The Telegraph (entre muitos outros sites noticiosos e telejornais no mundo inteiro). Segundo o blog de notícias Mashable, a primeira pessoa que terá reparado na composição da fotografia terá sido Manzil Lajura. Lajura partilhou a imagem original e publicou as suas ilações no Facebook. Do resto, tratou a Internet.

Na perspectiva em que a situação é representada e de acordo com as avaliações feitas, a beleza da imagem é inquestionável. A peculiaridade da situação também, o que torna a fotografia apelativa. Mas diria ainda que o nível de tristeza do que é retratado é altíssimo: afinal, trata-se de deputados em pleno Parlamento ucraniano, representantes do povo, escolhidos pelo povo e que estão a discutir o destino do povo, num total acto de denigração da própria nação, numa altura em que a Ucrânia atravessa momentos tumultuosos.

Questões políticas à parte, os factores que contribuem para a qualidade estética da fotografia são vários. Segundo o artigo do The Guardian, tem tudo a ver com o aumento exponencial característico da espiral de Fibonacci, que pode ser observado em inúmeros fenómenos da natureza como nas pétalas de uma flor, por exemplo: “Aqui, a violência cresce exponencialmente em espiral para fora a partir do ponto focal da luta até à cara vermelha do homem no topo da imagem”. No The Huffington Post é apontada a proporção áurea, cujo valor pode ser encontrado a partir da sequência de Fibonacci, característica da Arte Renascentista e encontrada nas obras como as do mestre Giotto e que representa uma constante de crescimento, como crucial à estética apelativa da imagem.

Outras teses sobre a qualificação da obra e outras avaliações foram formuladas um pouco por todos os sites de partilha de imagens, surgindo debates abertos expontâneos que só contribuiram para a disseminação da fotografia: “Penso que [a imagem]é indicativa de Arte Renascentista não por causa da espiral de Fibonacci, mas pelo modo como os objectos estão arranjados em triângulo. Não consigo pensar em exemplos porque estou bêbedo num bar e porque frequentei uma escola de arte há 8 [termo obsceno eliminado] anos”, escreveu num tom divertido o utilizador do Reddit SubtleMagnetism, puxando mais atenção para o assunto.

Sejam quais forem os factores que contribuem para a venustidade estética da fotografia, a imagem já correu o mundo e continua a dar que falar. O incidente terá marcado um belo dia para os aficcionados da arte. E um dia muito negro para os defensores da democracia.