FUSING 2014: dia 3


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Quando subiu ao palco, já estava tudo montado. Nada de grandes apetrechos – pelo menos para quem via a coisa à distância permitida pelas grades – apenas o necessário para o um espetáculo “one man band” – um bom termo para definir o trabalho do B que por uns tempos foi só Fachada mas que afinal continua o mesmo (ele e o nome). “Isso foi um equívoco. Queria que fosse um diminutivo mas foi considerado um nome.” Não se conseguia ver o fundo do palco FUSING – por volta das 21.00, a falta de luz já não o permitia. Mas também não se perdeu muito: o homem estava à frente, vestido com uma t-shirt vermelha, por detrás de um teclado que… “Fiquei sem teclas!”, gritou. Interrompeu-se o início de “Camuflado” (tema do novo CD), mas sem problema, até porque a tropa manda desenrascar: afinal o B Fachada também percebe de beat box e as notas que não saíram das teclas saíram da sua boca. Um início de concerto.

O actuar em festivais implica sempre algumas mudanças na apresentação das músicas ou mesmo na apresentação da própria banda. O B Fachada diz que “o próprio é sempre o mesmo”, mas é impossível não perceber as diferenças. “Num espaço pequeno parece que é só uma coisa familiar e íntima, num espaço assim, grande, parece que estou deslocado, mas o facto de parecer que estou deslocado faz com que as pessoas pensem nisso e isso acaba por fazer parte da experiência: as pessoas terem de perceber que está de facto um gajo – um semelhante – ali em cima”, afirma. Os Dead Combo, à falta do silêncio conveniente às suas músicas, fizeram-se acompanhar de baterista. “Temos o Miguel Frazão. Não transforma a coisa em rock, mas sempre fica mais energética”, explicou Pedro Gonçalves. Ter Dead Combo no FUSING é como ter uma mistura dentro de uma mistura: são milongas, sembas e fado num contexto de música, comida, praia e arte.

Fusing Culture Experience 2014 - Figueira da Foz, Portugal

O Bruno Lucas tem 27 anos e está a desenhar. “Eu sou ilustrador e fui convidado para pintar as tábuas dele“. O ele é o Ricardo Conceição, CEO na Buarco Sk8boards que marcou presença no FUSING – um toldo, num dos extremos do recinto – aquele onde já era possível enterrar os pés na areia. “Eu e o Tytto [porque também havia gente a tatuar] somos de cá da Figueira e já cá tínhamos estado o ano passado. Este ano mudaram-nos de sítio – estamos mesmo perto da praia, porque, de certa forma, está mais relacionado com o desporto”. Ao todo são três toldos para três actividades distintas – as tatuagens, o skate e o surf na lona. “Mais daqui a nada vão puxar uma lona e fazer tipo uma onda. Dá para o pessoal andar aí”, afirma Bruno. Tudo isto em frente a um pedaço de praia, onde o calor permite banhos no quase mar e também de sol, os últimos, com pessoas sentadas nos poufs e espreguiçadeiras do Lounge Pleno – o palco mais chill do FUSING.

Fusing Culture Experience 2014 - Figueira da Foz, Portugal

Quando o B Fachada entrou já se sentia o frio – mesmo por entre o aglomerado formado pelos ouvintes atentos. Uma possível justificação para o facto de Legendary Tigerman, horas depois, ter convidado o público a invadir – com consentimento – o fosso dos fotógrafos. Tudo uma questão de calor humano. Até uma das figuras de plástico do Panda do Transe (constantes alvos de câmaras ao longo dos três dias de festival) lá esteve. As bandas a tocar pra meninos. Ao B Fachada pediram-lhe o To-Zé (“Essa é que é boa, não é? As outras são uma merda”) e ele retribuiu a dobrar – um To-zé à capela com o bater do pé a compassar e outro Tó-Zé mais parecido com o do CD. Um furo nos temas do último álbum – mais um intitulado B Fachada. “Eu queria usar um diminutivo do meu nome para umas vezes usar a versão curta e outras usar a versão longa. A ideia era que nos primeiros concertos aparecesse só Fachada e que este disco se chamasse Fachada para não se confundir com os outros dois homónimos. Mas, como houve esta confusão do fait diver tive de chamar ao disco B Fachada porque acabou por ficar só Fachada em sítios mesmo estúpidos como, por exemplo, no concerto em Berlim. Eram só amigos! Tratavam-me todos pelo diminutivo porque, pronto. Toda a gente me conhecia em Berlim. Sou grande!

Fusing Culture Experience 2014 - Figueira da Foz, Portugal

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