Nova moda: tirar selfies no topo de edificios altíssimos


Desde que foi usada publicamente pela primeira vez num fórum em 2002, a palavra selfie já ultrapassou o estatuto de termo adaptado ou de estrangeirismo e tornou-se numa realidade do quotidiano de milhões de pessoas do mundo inteiro. Mas esta moda, que chega quase a ser um culto, ainda que inofensiva, tem vindo a transmutar-se numa prática perigosa.

Um pouco por todo o mundo, as autoridades têm apanhado indivíduos no topo de pontes e arranha-céus enquanto estes últimos capturam imagens deles próprios suspensos a centenas de metros de altura. Um dos seguidores deste movimento é o russo Kirill Oreshkin, que faz da selfie nas alturas uma prática habitual que até partilha com amigos:

O duo conterrâneo Vitaliy Raskalov e Vadim Makhorov, que claramente também não sofre de vertigens, até criou o seu próprio site dedicado a este comportamento de risco tão em voga. Estes dois já conseguiram chegar ao topo da Grande Pirâmide do Egipto e da Torre de Xangai, na China, fazendo-o de forma ilegal, tal como a maioria dos adeptos deste tipo de selfies.

Atraídos pela possibilidade de aparecer nas notícias, de arranjar mais seguidores nas redes sociais, tornar-se famosos no YouTube ou para simplesmente suplantar uma fotografia tirada por um amigo, adolescentes e jovens na casa dos 20 anos expõem-se cada vez mais a situações arriscadas e potencialmente desastrosas para se filmarem durante o aparato ou tirar a melhor selfie. O site The Verge lançou uma votação para tentar dar um nome a esta trend (que esperemos não estar para ficar) e, para já, King Konging é o título de eleição dos seus leitores.

Claro que estes comportamentos têm repercussões: no domingo passado Yoraslov Kolchin, de 24 anos, foi preso pela polícia de Nova Iorque após ter escalado a ponte de Brooklyn. As autoridades apanharam o jovem, mas não sem este ter tido oportunidade de registar o seu “triunfo” com a câmara do iphone.

Este caso veio no seguimento do episódio das duas bandeiras brancas que surgiram no topo dos dois arcos da ponte, aparentemente por obra de dois artistas alemães, gerando um frenesim entre os jornais nova iorquinos e deixando a polícia perplexa. O jornal New York Post publicou este vídeo no seu canal de YouTube:

São vários os sites e blogs que já fazem compilações desta arriscada moda. E as consequências nem sempre se limitam à prisão dos envolvidos. Estas circunstâncias arriscadas estendem-se a situações como largadas de touros. Há até mesmo quem tire as famosas selfies enquanto está a conduzir, o que muitas vezes resulta em tragédias.

Relembro o caso do casal polaco que caiu, no dia 9 de Agosto, de uma falésia, diante dos filhos, no Cabo da Roca, em Sintra, enquanto tentavam tirar fotografias do ponto mais ocidental da Europa.