Uber quer ser a tua nova loja de conveniência


Os amigos estão mesmo à porta e já não há tempo para sair e ir comprar snacks para acompanhar o jogo de futebol? O carro está na oficina e não apetece andar quilómetros para acalmar uma crise de “chocolatite”? A operadora de comunicações garantiu que o técnico ia chegar entre as 9h e as 12h (ou, realisticamente falando, entre as 9h e as 18h de qualquer um dos cinco dias que se seguirem) para fazer a instalação do novo serviço e já não há pasta de dentes? Para algumas pessoas, a salvação pode estar à distância de alguns toques no smartphone.

A Uber quer alargar o seu serviço de transporte e boleias e disponibilizar aos seus utilizadores uma espécie de experiência de lojinha de conveniência online. Corner Store é a nova opção da conhecida app homónima da empresa e, para já, só estará disponível em Washington D.C., enquanto decorre a fase de testes. A startup americana, que tem até agora operado exclusivamente no sector de transportes, pretende criar um serviço de entregas de produtos, desde mercearias a medicamentos não sujeitos a receita médica, que levará as encomendas até à porta dos utilizadores.

No decorrer da experiência, que começou no dia 19 de Agosto, estendendo-se às próximas semanas, e que servirá para avaliar a viabilidade deste serviço, os utilizadores poderão escolher de entre mais de 100 produtos (existindo a possibilidade de esta lista aumentar mais tarde) que serão entregues pelo condutor registado na Uber que estiver disponível na altura.

Não será cobrada qualquer tarifa pelo serviço de entregas. Os utilizadores pagam apenas pelos produtos encomendados e, tal como para o serviço de transportes, não haverá troca de dinheiro em mão: o pagamento é efectuado através das contas Uber, das quais o dinheiro é automaticamente retirado.

A ser bem sucedida, esta nova opção da mundialmente conhecida app fará concorrência directa com os semelhantes serviços de entregas da Google e da Amazon, que têm vindo a ser expandidos pelas multinacionais nos últimos tempos.

Encontram-se igualmente a ser testados pela Uber um serviço de mudanças (o UberMovers) e um serviço de estafetas (o UberRush), mas por terras lusitanas ainda só podemos aceder ao já clássico UberBlack.

Têm sido semanas de grandes movimentações para esta startup norte-americana que já funciona em um total de 163 cidades de 40 países diferentes. A empresa tem tido problemas na Alemanha, tendo sido obrigada a interromper temporariamente as operações em Berlim e em Hamburgo, devido a alegações sobre a inviabilidade dos serviços, que não terão condições para garantir a segurança dos passageiros. Taxistas do mundo inteiro têm protestado contra a empresa que lhes tem feito concorrência, sendo que as agitações se sentem com mais força em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde a Uber começou a funcionar em Junho.

O governo alemão decidiu multar a empresa em cerca de 25 mil euros de cada vez que violasse as Leis do Transporte Público de Berlim (valor que não representa mais do que uma migalha nos 13,4 mil milhões de euros em que a startup mais valiosa do mundo está avaliada).

Apesar de tudo, o negócio da empresa parece ir de vento em popa: na passada terça-feira a Uber anunciou a contratação do ex-conselheiro de Barack Obama David Plouffe para o cargo de Vice Presidente Sénior de Política e Estratégia e no dia seguinte foi ainda anunciada uma parceria com a TripCase, uma companhia que oferece ferramentas uteis no planeamento e gestão de viagens e que é propriedade da multinacional de tecnologia Sabre.

Com tanta polémica e com tantos triunfos e avanços conseguidos pela Uber, que lhe valeram tanta visibilidade nos últimos tempos, parece que as previsões feitas por um dos executivos da Google Ventures, que diz que a empresa poderá chegar a valer 200 mil milhões de dólares nos próximos anos, não serão descabidas.