Uma fusão de música, desporto, arte e gastronomia que transformará a Figueira durante 3 dias


Faltam pouquíssimos dias para o arranque do FUSING Culture Experience, um evento único, que reúne música, arte urbana, desporto e gastronomia num mesmo espaço, na Figueira da Foz. Acontece de 14 a 16 de Agosto, e tem o carimbo Shifter.

“Em Portugal não existe nada que consiga conjugar estas quatro áreas”, observa o promotor Carlos Martins. A associação da música à arte urbana, ao desporto e à gastronomia justifica-se não só pela química que todos estes campos partilham entre si. “A nossa equipa inicial era formada por pessoas destas 4 áreas, e foi também isso que fez com que a fusão fosse esta.”

A melhor música portuguesa

O FUSING inclui dois palcos de música – o Palco Fusing e o Palco Experience – e o cartaz é essencialmente português. Capicua, You Can’t Win Charlie Brown, Primitive Reason, Noiserv, Sensible Soccers, Peixe Avião, Octa Push, The Legendary Tigerman, B Fachada, Boys Noize, Sequin e Orlando Santos são apenas alguns nomes. “Temos um cartaz coeso com grandes nomes em todos os palcos e em todos os dias”, orgulha-se Carlos Martins.

Mas também há quem venha de fora, percorrendo milhares de quilómetros, só para dar música ao FUSING. É o caso do americano Slow Magic e do brasileiro Cícero. “Sabemos que o crescimento do evento vai ter de passar obrigatoriamente por nomes internacionais, é a realidade”, comenta. “Não vejo isto como uma coisa negativa ou uma coisa que possa desvirtuar o conceito do evento. Aliás, os artistas nacionais têm muito a beneficiar com nomes internacionais: público estrangeiro, imprensa estrangeira…”

A música é apenas fio condutor da fusão cultural que acontece na Figueira da Foz. E o nome “fusing” não é inocente. É através da música que ficamos a conhecer áreas pouco habituais em festivais de Verão, como a arte urbana, a gastronomia ou o desporto.

Arte urbana na Figueira da Foz

A arte urbana vai contagiar a Figueira da Foz, muito para além do recinto do festival. Os portugueses Pantónio e Tamara Alves e os romenos AITCH e Saddo vão pintar espaços públicos da cidade com muita cor, enquanto que Panda do Transe vai trazer ao FUSING várias instalações nos locais mais inusitados de bonecos “humanos”, moldados com papel e fita-cola.

“No ano passado, foi um desafio para Figueira da Foz, foi a primeira vez que artistas urbanos estiveram a intervir na cidade. Creio que o resultado foi altamente positivo. São peças que ficaram para a cidade e, passado quase um ano, estão completamente intactas, o que quer dizer que a comunidade percebeu a mais-valia de ter este tipo de peças”, afirma Lara Seixo Rodrigues, coordenadora de arte do FUSING.

Dentro do recinto, a Garagem das Artes terá uma ligação visual com o palco principal de música e espelhará a multidisciplinarieadade da arte. Nela, existirão exposições de fotografia e ilustração, workshops de breakdance e muitas outras actividades.

Chefs vs. Chefs

Mas o FUSING não se faz só de cores, imagens e sons. É também um espaço de sabores, aromas e sensações. No Cooking Lounge Pingo Doce“podemos dizer que é o nosso palco gastronómico” – as cozinhas figueirense e nacional estarão frente-a-frente, numa saudável competição entre uns dos maiores nomes da cozinha da Figueira da Foz e chefs reconhecidos do panorama nacional.

“Adorava trazer cozinheiros de fora. Adorava! Acho que era altamente. Nós obviamente que temos um foque muito grande na música nacional e na parte nacional”, confessa Carlos Martins, não descurando a aposta na cozinha portuguesa. “Obviamente, dar a conhecer o que de melhor cá é feito, em todas as áreas, é essa a nossa missão, mas também trazer o que de melhor é feito por todo o mundo.”

Mas o Cooking Lounge Pingo Doce do FUSING terá muito mais coisas a acontecer: showcookings por bloggers, provas de vinho, workshops de sushi, gin e cocktails moleculares…

Uma vila de surf

“Felizmente temos uma praia dentro do recinto.” No Surf Village do FUSING, será dado a conhecer o que é a Figueira ao nível dos desportos náuticos, nomeadamente surf, bodyboard, kayak surf e skimming. Para além da personalização e pintura de pranchas de surf, a Surf Village contará com demonstrações de como se produzem pranchas. Haverá ainda sessões de corpo e mente ao final da tarde, bem como de momentos chill out, ao som de reggae.

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Tudo começou em 2012

Um projecto pensado e concretizado por 5 jovens da Figueira da Foz.

Montar um festival de música já é difícil, e juntando mais 3 vertentes parece uma coisa de loucos. Em termos de dimensão, o FUSING pode não ser um NOS Alive ou um Super Bock Super Rock, mas em termos de estrutura acaba por ser quase tão grande como um.

Desengane-se quem pensa que o FUSING terá a dimensão de um NOS Alive ou de um Super Bock Super Rock. É claramente um parente menor destes dois. Mas não necessariamente um parente pobre, porque, em termos de estrutura acaba por ser quase tão grande como um “dos grandes”.

“Isto foi algo que se iniciou em Setembro de 2012.” Carlos Martins era apenas um dos cinco jovens que, no fim do Verão, estava descontente com a monotonia do mesmo, “principalmente se pensarmos só na Figueira ou só na zona Centro”. Foi, então, que os 5 empreendedores se perguntaram: “como é que é vamos mudar isso?”. Projectaram o FUSING para o Verão seguinte, o de 2013. “O projecto inicial não tinha nada a ver com o que acabou por ser, e ainda bem, porque foi evoluir.”

“Sentimos a carência na zona Centro de algo assim tão importante como um evento deste género. E, sendo nós da Figueira, achamos que devemos apostar na nossa cidade”, que é também uma cidade bem localizada. “Está no centro de Portugal, portanto a nível de acessibilidades é fácil para quem é do Norte e quem é do Sul”. A Figueira é também uma cidade única: tem praia, rio, serra… “Acabamos por beneficiar também do fluxo turístico que a cidade tem.”

A primeira edição do FUSING foi um verdadeiro sucesso. Durante quatros dias, passaram pelo recinto cerca de 20 mil pessoas, número que a organização acredita mais do que duplicar na edição deste ano.

A redução do número de dias do evento face ao ano anterior, passando de 4 para 3 dias, é justificada por um maior investimento em cada um dos dias. “Temos um cartaz mais coeso e mais consistente. Temos alguns artistas internacionais, como Slow Magic. Temos dois novos espaços”, explica. “Outra das evoluções em relação ao ano passado é que antes tínhamos a parte gastronómica e de arte muito espalhada pela própria cidade, porque queríamos que ela também participasse no festival, este ano focamo-nos mais dentro do recinto.”

Houve evolução também na equipa que faz o FUSING. Já não são as 5 pessoas. “Neste momento foi criada uma empresa onde trabalhamos todos e uma estrutura maior.” Mas o evento mantém a sua essência. “Agora estamos mais maduros e metódicos, e pensamos melhor as decisões que fazemos.”

A edição de 2015 está garantida. “Obviamente que já pensamos em 2015. E em 2023 estamos a fazer 10 anos. Pensamos nisto a mega longo prazo, senão não estávamos a dedicar tempo e esforço e tudo neste projecto.”

O passe geral para o evento está disponível na bilheteira online e nos locais habituais por 39 euros. Por sua vez, o bilhete diário terá o valor de 17 euros.