Não foi uma boa semana para a Apple…


As coisas não andam famosas para o lado da Apple. Depois da descoberta das fraquezas no iCloud, que terão facilitado a publicação de imagens íntimas de várias celebridades, e do fracasso do update ao software iOS 8, choveram críticas aos novos iPhone 6 e iPhone 6 Plus, que aparentam ser feitos de um material mais “flexível” do que Apple esperava, originando uma polémica que ficará para sempre conhecida como bendgate. Nada disto terá agradado aos investidores da gigante internacional de tech.

No dia 25 de Setembro a Bolsa de Nova Iorque fechou em queda com a descida do valor de 80% das acções negociadas. Entre as empresas em declínio esteve a Apple que viu o valor das suas acções descer 3,8%, passando cada uma a valer 97,87 dólares (aproximadamente 77,13 euros). Há apenas algumas semanas cada acção da empresa estava avaliada em 103,74 dólares.

Para os menos atentos às evoluções e recuos do Mercado, 3,8% não parece ser um valor significativo, muito menos para uma das multinacionais com o maior e mais fiel número de clientes do mundo. Mas aquela percentagem traduz-se numa desvalorização de mais de 20 mil milhões de dólares da Apple (mais de 15,7 mil milhões de euros).

Relembro que em Abril deste ano a Appple anunciou que iria fazer um desdobramento das acções numa razão de 7-1, traduzindo-se na multiplicação das acções da empresa, existindo agora sete vezes mais, com cada uma a valer 1/7 do que valia anteriormente. Esta jogada, apesar de matematicamente não significar qualquer mudança no valor real da empresa, acabou por levar a uma subida de 25% no valor da Apple, por ter tornado a compra das suas acções mais actractiva e acessível a potenciais novos investidores.

O valor das acções de uma empresa é definido em parte devido a especulação e às expectativas dos investidores. Mesmo depois do recorde de vendas dos novos modelos de iPhone lançados ainda este mês, com mais de 10 milhões de unidades vendidas no primeiro fim-de-semana, e dos pedidos de desculpa da Apple pelas falhas no software, os investidores parecem estar a recuar.

Executivos venderam mais de 112 milhões de euros em acções, antes do lançamento do iPhone 6

Imediatamente antes de toda a controvérsia se instalar, cinco dos principais executivos da empresa que Steve Jobs ajudou a criar venderam um total de 1 411 337 acções, numa venda pré-agendada, arrecadando mais de 112 milhões de euros. A venda coincidiu com a altura do lançamento do iPhone 6 e do iPhone 6 Plus, entre os dias 5 e 22 de Setembro.

De acordo com o Business Insider, o CEO Tim Cook vendeu 348 425 acções por 35 250 297 dólares (cerca de 27,78 milhões de euros); os Vice-presidentes de diferentes áreas Phil Schiller, Jeffreu E. Williams e Bruce D. Sewell venderam 348 846 acções, cada um, por uma média de 35 294 453 dólares (mais de 27,8 milhões de euros); o CFO Luca Maestri vendeu a totalidade das suas acções – mais de 16,3 milhões – por 1 631 286 dólares (aproximadamente 1,29 milhões de euros).

Uma vez que todos se tratam de figuras de altos cargos da Apple, que têm acesso a informações confidenciais sobre a empresa, as únicas formas de poderem vender as suas acções são através de uma venda pré-agendada, como foi o caso, ou durante um período de transacções aberto. Isto acontece para evitar que ocorram transacções apenas quando é conveniente aos accionistas.

No entanto, são estas mesmas figuras que decidem quando será lançado um novo produto, por exemplo. Neste momento, Tim Cook detém menos de 1% da Apple, tendo vendido parte das suas acções em 2010, 2011 e 2012. Resta saber se o padrão de descida se irá manter para a gigante da maçã ou se a marca conseguirá recuperar a confiança dos consumidores e dos investidores com o lançamento do iOS 8.0.2, que promete resolver todos os problemas da versão do sistema operativo anterior.