NASA confia à Boeing e à SpaceX a construção de naves para transporte de astronautas


A Agência Espacial Norte Americana (NASA) chegou a acordo com a Boeing e a SpaceX, que prevê que as duas empresas sejam responsáveis pelo transporte dos astronautas norte-americanos de e para a Estação Espacial Internacional (EEI) até 2017. Os contratos celebrados apresentam um valor total de 6,8 mil milhões de dólares (4,2 mil milhões para a Boeing e os restantes 2,6 mil milhões a caberem à SpaceX) e prometem iniciar uma nova fase no transporte espacial.

Desde 2011, com o encerramento do programa SpaceShuttle, a NASA recorria à Agência Espacial Russa para garantir “boleias”, destinadas a levar astronautas norte-americanos para a EEI. Cada lugar numa cápsula Soyuz russa pode ultrapassar os 70 milhões de USD, sendo que a NASA costuma alugar cerca de 6 lugares por ano. No fundo são quase 450 milhões de USD que os EUA deixam de entregar à Rússia, garantindo também veículos que correspondam a todas as normas definidas pela agência norte-americana.

As empresas escolhidas para assumirem a tarefa de “táxi espacial”, ambas norte-americanas, já apresentaram as suas respectivas cápsulas e as inovações de cada uma.

A Boeing, empresa que já tinha trabalhado com a NASA aquando do lançamento do Space Shuttle em 1981, anunciou o CST-100. Ao todo serão construídas três cápsulas destas, todas reutilizáveis, com os trabalhos a decorrerem no Kennedy Space Center na Florida. Cada cápsula terá lugar para um máximo de 7 passageiros e estará pronta para permanecer seis meses em missão.

Já a SpaceX lança-se agora na sua primeira parceria com a NASA. A empresa pertence a Elon Musk, também proprietário da Tesla, e que faz da inovação e da exploração de novas fronteiras um dos seus principais trunfos. A sua cápsula, a SpaceX Dragon já anda no espaço desde 2012, mas somente em missões de transporte de mercadorias.

O projecto redesenhou a Dragon e transformou-a numa moderna e atraente cápsula, equipada com a mais avançada tecnologia. Além do mais, estabelece um preço mais simpático comparado com a concorrente da Boeing.

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Com o extremar de posições entre Rússia e EUA e um afastamento diplomático evidente, a NASA faz um anúncio com enormes repercussões. Não só deixa de investir uma quantia importante no sistema russo, como canaliza esses fundos para empresas americanas, aumentando o investimento em tecnologia e fomentando a criação de postos de trabalho nesta área. A corrida pelo Espaço tornou-se agora também um assunto de privados.