O Pai do iPod sobre o fim do iPod Classic: “Fico triste por vê-lo partir”


 
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Há duas semanas, a Apple matou o iPod Classic, o único modelo de iPod que ainda mantinha algumas semelhanças com o desenho original, concebido por Tony Fadell: um grande rectângulo com um ecrã e uma saliente roda. “Fico triste por vê-lo partir”, confessou Fadell, baptizado por muitos de Pai do iPod, ao site Co.Design.

Tony Fadell começou a trabalhar na Apple em Fevereiro de 2001. Foi ele que concebeu e fez o desenho inicial do iPod, e que supervisionou o processo de lançamento do produto em Outubro desse ano. Fadell foi em 2004 promovido a Vice Presidente da divisão do produto, tendo em 2005/6 substituído Jon Rubinstein no cargo de Vice Presidente Sénior. Em 2008, Fadell deixou a Apple para fundar uma empresa de termostatos, a Nest, recentemente adquirida pela Google.

“O iPod foi uma parte importante da minha vida na última década. A equipa que fez o iPod deu literalmente tudo para que aquele produto fosse aquilo que foi”, adiantou Fadell numa entrevista telefónica ao Co.Design. Oito meses depois do lançamento, o iPod dominava o mercado dos MP3 e continuou a dominá-lo nos anos seguintes. “Produtos como este não são muito comuns”, referiu, acrescentando que “o iPod foi um em milhões”.

Mas o iPod estava destinado a morrer. “Era inevitável que outra coisa qualquer ocupasse o seu lugar. Em 2003 ou 2004, começámos-nos a interrogar sobre o que é que mataria o iPod. E já nessa altura, na Apple, sabíamos que era o streaming.” Segundo Faddel, o streaming não foi o único culpado pela morte do iPod Classic.

Os smartphones em geral permitem armazenar música e são o equipamento que está sempre no bolso das pessoas; ninguém quer andar com dois aparelhos quando pode ter tudo num. Por outro lado, há um iPhone 6 com 128 GB de disco: é espaço mais que suficiente para colocar apps, selfies, vídeos e músicas. E, para além disso, tem net e faz chamadas.

“Vou sentir saudades do iPod”, disse o Pai dele. Mas Fadell avisa que não podemos ficar demasiado nostálgicos relativamente à partida de um objecto do qual gostámos. “É assim que as coisas são. Eu também gostava do meu Apple II, e viu-o chegar e partir. Existem pessoas que querem o Commodore 64 ou a Amiga de volta. É bom esse sentimento, mas o tempo não pára. E é melhor ficarmos entusiasmados com o futuro.”

Para Tony Fadell o futuro da música não tem só a ver com iPods, iPhones ou streaming. O futuro da música passa por esses dispositivos e serviços conseguirem saber qual é a música perfeita para cada ocasião. Isto é, as apps de música têm de saber ler o contexto.

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