Google investe 542 milhões na Magic Leap, uma misteriosa empresa de “realidade cinemática”


A Google – e não os fundos de investimento Google Ventures ou Google Capital – investiu uns impressionantes 542 milhões de dólares (mais de 424,6 milhões de euros) na segunda ronda de financiamento da Magic Leap, anunciou esta ultima na terça-feira.

Sedeada na Florida, nos Estados Unidos, a Magic Leap é uma startup que promete revolucionar o modo como vemos e experienciamos a tecnologia actual. Segundo Ron Abovitz, CEO da empresa, a Magic Leap não pretende desenvolver aparelhos de realidade aumentada ou de realidade virtual, mas quer sim aliar a tecnologia à beleza do mundo que nos rodeia, criando uma realidade cinemática: “É notável a forma como o corpo humano e a mente reagem quando a tecnologia respeita a biologia, possibilitando experiências verdadeiramente mágicas”, disse Abovitz no site da empresa.

Mas o que quer isso dizer? Apesar de ter vindo a manter-se um grande nível de secretismo em torno desta startup, nos últimos dias têm sido revelados alguns detalhes aos media. De acordo com meios como o TechCrunch, o The Verge ou o Business Insider, a tecnologia desenvolvida pela Magic Leap não tem nada a ver com, por exemplo, o Oculus Rift da Oculos VR (apesar de vir possivelmente também a adoptar o formato de uns óculos): além do design simples e limpo, garantido por Abovitz, os aparelhos irão combinar o sentido da visão com um sistema de computação móvel que irá projectar imagens artificiais, mas com um aspecto incrivelmente realista, directamente nas retinas dos seus utilizadores, acrescentando componentes 3D animados ao mundo real em vez de criar uma realidade à parte deste.

Fascinado, Thomas Tull, um dos investidores e CEO da Legendary Pictures, contou ao Journal que a sua experiência com este aparelho, que permanece um mistério, “foi incrivelmente natural […] – estás numa sala e há um dragão a voar, é de ficar boquiaberto”.

O hardware, software e firmware desenvolvidos e patenteados pela Magic Leap não terão apenas aplicações em videojogos: a tecnologia chamada Dynamic Digitalized Lightfield Signal, ambiciona ligar o mundo digital ao mundo real sem desligar os utilizadores deste ultimo, substituindo os aparelhos que nos distraem do que nos circunda, podendo, se tudo correr bem, vir a tornar-se num novo meio de comunicar e partilhar conteúdo. Justifica-se assim a diversidade de investidores – das áreas de entretenimento, web e tech – que se envolveram nesta segunda fase de financiamento.

A maioria de nós sabe que um mundo com dragões e unicórnios, elfos e fadas é simplesmente um mundo melhor. O que aconteceria se utilizássemos tecnologia para trazer a magia de volta ao mundo?” – É o convite que a Magic Leap fez e que várias companhias aceitaram.

A startup, que vê o termo “realidade aumentada” como algo do passado, conta agora com os cheques realmente avultados de Andreessen Horowizt, da fabricante de chips Qualcomm, da companhia de cinema Legendary Pictures, da Vulcan, criada pelo co-fundador da Microsoft Paul Allen, entre as contribuições de vários outros gigantes do investimento estratégico. A Magic Leap está agora avaliada em mais de 2 mil milhões de dólares.

Os novos parceiros têm demonstrado um grande interesse no desenvolvimento da empresa. Sundar Pichai, que gere o sistema Android e o browser Chrome, irá integrar a direcção da Magic Leap juntamente com o presidente executivo da Qualcomm, Paul Jacobs, e o vice-presidente do desenvolvimento empresarial da Google, Don Harrison, que actuarão unicamente como observadores.

Segundo o site da empresa, que pretende continuar a operar a partir da Florida apesar do chamamento crescente de Silicon Valley, os fundos conseguidos até agora servirão para “acelarar o desenvolvimento do produto, lançar ferramentas de desenvolvimento de software, expandir o ecossistema de conteúdos e comercializar o sistema móvel patenteado”.

A Magic Leap irá também necessitar de mais recursos humanos nesta fase e está por isso a contratar pessoal nas áreas de desenvolvimento de software, hardware e administração, convidando possíveis interessados em preencher as posições disponíveis através de um separador do site que apropriadamente apelidou de “Wizards Wanted”. Será uma excelente oportunidade para engenheiros informáticos portugueses que estejam interessados em tentar a sua sorte lá fora, visto tratar-se de uma empresa que está a crescer rapidamente e que aparenta ter um futuro muito promissor.