Lotus Fever – ‘Search For Meaning’


 
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Há uns tempos, deram-me a conhecer uma jovem banda lisboeta que se aventurava pelos perigosos meandros do psicadélico.

Ouvi uma ou duas músicas, que me causaram boa impressão, e fiquei a saber que os Lotus Fever andavam numa cruzada de crowdfunding para gravar o seu primeiro álbum com o mítico Ramón Galarza, que muitos conhecerão como jurado das primeiras edições do programa Ídolos, mas que reúne já uma vasta experiência como produtor de bandas que dispensam apresentações e é responsável pelas baterias daquele que é considerado o melhor álbum português de rock progressivo de sempre, 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte. Conseguiram atingir o objectivo da sua demanda e o Santo Graal que encontraram chama-se Search For Meaning.

Não precisamos de ouvir mais do que a primeira faixa, uma introdução, intitulada “An Awakening”, para perceber que estamos na presença de um álbum “a sério”. Um instrumental epicamente calmo, muito ao estilo de um “Division Bell” dos Floyd, rapidamente evolui para um ritmo de ride mais cadenciado, que vai beber muito de uns Coldplay nos seus tempos áureos ou de uns Radiohead “pré-electrónica”, o que se confirma com a entrada de uma voz aguda e suave, navegando através dos oceanos instrumentais proporcionados pelas sobreposições de teclados, pads e orgãos.

Como todo o álbum conceptual que se preze, Search For Meaning surge como uma obra contínua e não um aglomerado de músicas. Assim, vou rapidamente avançando pelas faixas, onde a constante mais notória é a óptima produção do disco. Uma produção “de nível internacional”, como me dizia um amigo. E com razão. Não passam despercebidos os cuidados na escolha dos timbres das guitarras carregadas de phasers (mas por acaso há riffs que fiquem fixes sem phaser?) e delays, nos coros recorrentes, ou até na utilização dos sopros, um recurso surpreendente e bastante diferente de tudo aquilo que se tem visto ultimamente, mas muito bem aplicado neste trabalho, sem exageros pretensiosos.

Ainda há tempo para perceber que estes meninos não se ficam pelo rock calmo, melódico e espacial. Músicas como “Introspection” (o single do álbum) ou “Mild Temptations” (que podia pertencer a um álbum de Zeppelin) mostram o potencial que a jovem banda ainda tem para explorar outras direcções.

Os quase 50 minutos que compõem este Search For Meaning apresentam-nos uma banda já muito madura, provando que, na música, a idade não passa de um número e deixando antever muito boas perspectivas para um grupo que começa agora a tentar deixar a sua marca no panorama musical português. Com este primeiro longa-duração, começaram da melhor forma.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!