Música na Libéria como uma arma contra o ébola


Infelizmente, o vírus do Ébola já não é novidade. Mas a música como arma também não. Um grupo de artistas liberianos lançou “Ebola is real”, uma canção escrita e produzida com a ajuda de Adolphus Scott, do departamento de comunicação da UNICEF na Libéria. Em pouco tempo a música grupo F.A. and Soul Fresh tornou-se muito popular e é a faixa mais difundida nas estações de rádio do país.

A febre hemorrágica já matou mais de 4000 pessoas nos últimos oito meses, principalmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Há várias músicas sobre a doença. Desde a fase inicial da epidemia, várias agências governamentais encomendaram canções de consciencialização mas a mensagem que passavam não era a ideal: “simplesmente não há cura”.

É essencial educar as pessoas sobre como evitar o contágio e, desta vez, talvez os músicos e DJs liberianos tenham algum crédito nisso. “Ebola is Real” explica, de forma cantada, os procedimentos a seguir caso se verifiquem sintomas do vírus.

A rádio continua a ser um meio extremamente poderoso na zona da África Ocidental, e como a Internet ainda não atingiu esse patamar, é pela rádio que mais comunica sobre o Ébola. Além das canções sobre o vírus, os locutores falam regularmente falar de como retardar a sua propagação.

Um dos mais famosos locutores de rádio da Libéria, Elliott Adekoya, diz que a população está farta de ouvir falar do Ébola e que quando as pessoas perceberam que se podia sobreviver à doença deixaram de querer ouvir as músicas desanimadoras que ecoavam pelo país.

“Se tu estás a fazer uma canção – uma canção sobre o Ébola que as pessoas vão começar a ouvir nesta fase de descontentamento – já agora tem que ser dançante.” Adekoya, que também é um músico conhecido como The Milkman, diz que “Ebola is Real” é a canção do momento precisamente por dizer às pessoas para se protegerem (“It’s real / It’s time to protect yourself / Ebola is here”, “The only way you can get Ebola is to get in direct contact with the blood, saliva, urine, stool, sweat, semen of an infected person or infected animal”).

Adekoya diz que a música está a ter impacto. Pertence a um projeto chamado “Save Liberia”, uma espécie de versão liberiana do “We Are the World” e que reúne 45 dos músicos mais famosos do país.

Acredita que fará a sua diferença e justifica a fé com o poder da música.

(Na foto: Elliott Adekoya, músico e locutor de rádio liberiano que pertence ao projeto “Save Liberia”.)