O recorde de Alan Eustace, o executivo da Google que superou Felix Baumgarter


Não lhe bastando liderar o ranking das empresas mais valiosas do mundo em 2014 e a “omnipresença” nos espaços virtuais, sendo detentora de um dos browsers predilectos dos cibernautas e do motor de busca mais acedido, a Google conquistou os céus, por associação, graças à façanha de um destemido trabalhador dos seus quadros mais elevados.

O vice presidente da multinacional de serviços online e software, Alan Eustace, saltou em queda livre de uma altitude de 41,42 quilómetros, batendo o recorde traçado há dois anos pelo austríaco Felix Baumgarter (através do Redbull Strata) em mais de 2 quilómetros e quebrando a barreira do som durante a descida.

Foram necessários três anos para planear o feito e preparar física e psicologicamente Eustace para o salto. Mas a espera valeu a pena: “Foi lindo. Foi possível ver a escuridão do espaço e as camadas da atmosfera, algo que nunca tinha visto antes”, disse o executivo já em terra, de acordo com o jornal New York Times.

O VP da Google foi transportado até à estratosfera – uma das camadas constituintes da nossa atmosfera, situada entre a troposfera e a mesosfera, onde se encontra a maioria da camada de ozono e se inicia o fenómeno de difusão da luz solar que dá o característico tom azul ao céu – através de um balão de hélio. Quando se encontrava à altitude pretendida, Alan Eustace foi libertado do veículo através de um pequeno engenho explosivo.

Num fato espacial especialmente concebido para a ocasião, o executivo com uma – até agora desconhecida – veia de temerário iniciou a descida, que se realizou em duas fases, em direcção à crosta terrestre. Durante o período em queda livre, que durou à volta de quatro minutos e meio, atingiu velocidades na ordem dos 1322,9 quilómetros por hora. Ao ultrapassar a velocidade do som, a descida produziu uma explosão sonora, audível para os que se encontravam em terra mas que passou despercebida a Eustace. Antes do paraquedas abrir, o engenheiro ainda fez duas acrobacias à retaguarda, iniciando depois uma descida mais lenta que durou cerca de dez minutos e que lhe permitiu desfrutar de uma vista invejável do nosso planeta.

Alan Eustace trabalhou com a empresa Paragon Space Development Corporation para criar o equipamento que lhe permitiu realizar o salto sem recorrer à cápsula que Baumgarter usou em 2012. O seu fato é constituído por um sistema de suporte vital, que lhe forneceu oxigénio durante a descida, e foi desenvolvido para aguentar as temperaturas registadas nas sub-camadas superiores da estratosfera e as diferenças de pressão na descida para o solo. A aterragem aconteceu a 12 quilómetros de um aeródromo no Novo México, nos Estados Unidos, local de onde também iniciou a subida.

Graças às Go-Pro que acompanharam o engenheiro informático, foi possível registar esta aventura que marca o primeiro salto em condições semelhantes a decorrer com sucesso sem o auxílio de outros mecanismo de protecção além do fato espacial. Ficou apenas por bater o recorde de velocidade de Baumgarter que mantém a fasquia elevada tendo atingido durante a sua descida uns impressionantes 1357,6 quilómetros por hora.

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