Nos anos 1970, a LEGO tinha a ideia certa


Foi recentemente encontrada uma folheto da LEGO num brinquedo dos anos 70 em que a empresa deixa uma nota aos pais. Esta nota realça a importância e a necessidade de brinquedos em que o mais importante é a imaginação das crianças.

Aos pais

A vontade de criar é igualmente forte em todas as crianças. Rapazes e raparigas. É a imaginação que conta. Não a habilidade. Constrói-se o que vier à cabeça, da forma que se quer. Uma cama ou um camião.

Uma casa de bonecas ou uma nave espacial. Muitos rapazes gostam de casas de bonecas. São mais humanas que naves espaciais. Muitas raparigas preferem naves espaciais. São mais excitantes que casas de bonecas.

O mais importante é por o material certo nas suas mãos e deixá-los criar o que lhes for mais apelativo.

Claro que a legitimidade da nota foi logo posta em causa, mas tudo indicava que era autêntica. O logótipo corresponde ao da LEGO nos anos 70, e quanto à tipografia e ao layout, estes também são consistentes com os dos brinquedos LEGO da época.

evolucaologolego

Uma versão alemã do mesmo panfleto, datado da mesma altura, foi o que deu mais credibilidade ao folheto até a LEGO ter confirmado ao io9 que este é mesmo autêntico:

O texto é autêntico?

Sim, o texto é de 1974 e fez parte de um panfleto que mostra uma variedade de produtos de casas de bonecos LEGO para raparigas dos anos 70 a partir dos 4 anos. O catálogo vinha incluido em sets selecionados da série de casas de bonecas em 1974. O texto mantêm-se relevante nos dias de hoje — o nosso objetivo sempre foi e continua a ser dar experiências criativas de brincadeiras às crianças de todo o mundo, baseadas nos tijolos LEGO e no sistema LEGO — no fundo, permitir que todas as crianças construam e criem o que conseguem imaginar. Isto é hoje visível em toda a gama de produtos do Grupo LEGO — todos os produtos LEGO são baseados no sistema LEGO e nesta experiência de construção criativa.

Nos anos 70 a LEGO tinha a ideia certa quanto aos brinquedos para crianças, comunicava tanto para rapazes como para raparigas e focava-se na criatividade e na imaginação. Mas isso não tardou a mudar. Em meados dos anos 80, a empresa começou a apostar num marketing mais segmentado e associado aos estereótipos de género que fazem parte da sociedade patriarcal em que vivemos, sendo que a comunicação da marca passou a focar-se no público masculino, ainda que nunca tenha dito que são brinquedos “só para rapazes.”

Mas o foco da marca em desenvolver e comunicar brinquedos “para rapazes” torna-se claro quando em 2012 a LEGO apresenta LEGO Friends, uma série de brinquedos “para raparigas” desenvolvidos, segundo a empresa, após quatro anos de pesquisa intensiva acerca dos gostos e interesses destas com o intuito de levar a experiência LEGO ao sexo feminino.

O problema aqui prende-se com estereótipos de género presentes nestes conjuntos: cores que variam principalmente entre o rosa e o roxo, profissões e atividades como cozinhar, ir ao cabeleireiro ou tarefas domésticas e bonecas mais parecidas com Barbies do que com as Minifigures LEGO.

Não há, obviamente, nada de mal com tudo isto, mas porque é que estas cores e atividades não aparecem também nos outros conjuntos, porque esses são “para rapazes”?

Se quiseres mais sobre como a LEGO alterou a sua comunicação no que toca ao público-alvo dos seus brinquedos, aconselhamos os dois vídeos em baixo.

Fonte: io9

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