O cometa 67P cantou… e a Rosetta ouviu


A missão Rosetta é um projecto da Agência Espacial Europeia (ESA) e destina-se a estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (que viaja entre as órbitas da Terra e a de Júpiter), através do lançamento para o espaço de um satélite com o mesmo nome. Esta quarta-feira, dia 12, a sonda File separou-se do satélite e aterrou no cometa, tornando-se assim o primeiro objecto humano a realizar uma acometagem.

Ainda no mesmo dia, o satélite Rosetta detectou um sinal misterioso vindo do cometa 67P. Ao estudar o ambiente à sua volta, percebeu que se tratavam de sinais sonoros provenientes do próprio cometa. Este sinais foram gravados quando os cinco instrumentos do satélite procuravam e gravavam sinais com uma frequência entre os 40 e os 50 milihertz. Os instrumentos destinam-se a medir as alterações na actividade do cometa enquanto os jactos de vapor lançados por este para o espaço interagem com os ventos solares e a estrutura do seu núcleo.

Devido a uma interacção ainda não compreendida pelos cientistas, o ambiente à volta do cometa produz vibrações nestas frequências realmente baixas. Para tentar compreender melhor o som produzido pelo cometa, os cientistas aumentaram em mais de 10,000 vezes a frequência do sinal gravado, de forma a que se tornasse audível pelo ouvido humano.

A ESA fez o upload no seu SoundCloud dos sons captados e a faixa já teve mais de 3 milhões de plays.

Os cientistas estão agora a tentar descobrir a o fenómeno por detrás da origem destes sons, algo “completamente inesperado” e que é, segundo Karl-Heinz Glaßmeier (do departamento de Física Espacial do Instituto de Tecnologia, pertencente à Universidade de Brunswick), um acontecimento “excitante e completamente novo para os cientistas”.

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