Toshiba expande-se para a agricultura com produção de alfaces “limpas”


A Toshiba decidiu seguir a tendência das gigantes de tech – como a Sony, a Panasonic e a Sharp – e expandir os seus negócios para uma área que aparentemente nada tem a ver com a marca: a agricultura. A multinacional com sede no Japão anunciou no final de Setembro que iria começar a produzir alfaces e outras verduras numa das suas fábricas em Yokosuka, a sul de Tóquio, onde anteriormente eram produzidas disquetes.

Entre coentros, espinafres, alfaces, mizuna e rúcula, a Toshiba espera com esta iniciativa produzir cerca de 8,4 mil unidades de verduras por dia e conseguir receitas anuais de 2,7 milhões de dólares (mais de 2,15 milhões de euros). A marca, mais conhecida pelos seus equipamentos informáticos, espera ainda abrir outros centros de produção agrícola interiores noutros pontos do país e possivelmente levar a tecnologia desenvolvida para estas “quintas” além-fronteira. “O objectivo é não só manter esta fábrica em funcionamento, mas também vender estes sistemas para outros locais, incluindo sítios como a Rússia ou o Médio Oriente, onde a agricultura ao ar livre é um processo muito complicado”, contou o site de notícias Quartz, um dos meios de comunicação convidados a visitar o recentemente renovado estabelecimento em Yokosuka e a experimentar pratos confeccionados com os vegetais “limpos”.

As plantas são “limpas” porque são produzidas em condições praticamente assépticas, em salas cuja pressão e temperatura são meticulosamente reguladas, equipadas ainda com luzes artificiais e sistemas de irrigação optimizados com purificadores de água. Não são utilizados solos de terra ou de qualquer tipo, uma vez que todos os minerais necessários ao desenvolvimento das verduras são directamente injectados nas raízes. Os responsáveis pela manutenção e monotorização dos vegetais só podem entrar na sala com fatos especiais e após passar por uma área de descontaminação.

O resultado é plantas livres de microorganismos indesejáveis, sem quaisquer pesticidas, e que se mantêm em condições óptimas para consumo durante muito mais tempo – algo que deve agradar às superfícies comerciais e aos potenciais consumidores particulares a que se destinam -, uma vez que a ausência de fungos e bactérias atrasa a sua decomposição. Estima-se que para cada mil microorganismos existentes em alfaces produzidas ao ar livre existe apenas um na mesma quantidade de alfaces desenvolvida numa sala “limpa”.

Segundo os executivos, a nova linha de produtos conseguidos em fábricas agrícolas não se trata de modo algum de uma estratégia de marketing, como já foi apontado por diversos meios de comunicação social, mas sim de uma consequência natural da aposta do conglomerado de empresas japonês na área de cuidados de saúde: “Promover saúde e um melhor ambiente é imprescindível, e a Toshiba está focada em melhorar alimentos e a qualidade da água e do ar”, disse a companhia de acordo com o jornal Financial Times. Além dos equipamentos agrícolas, a Toshiba produz e desenvolve tecnologia para cuidados médicos.

Espera-se que a venda destes vegetais “high tech” chegue ao mercado ainda antes do final deste ano fiscal. Por agora, a marca que já existe há mais de 75 anos vai vender os seus novos produtos, que prometem ser saudáveis – e deliciosos, de acordo com quem já os provou –, apenas aos seus funcionários nas cafetarias, bares e cantinas das suas fábricas e escritórios.