Água encontrada no cometa da Rosetta é diferente da água da Terra


Após a primeira acometagem bem-sucedida da história a 12 de Novembro deste ano, as análises da sonda Rosetta já estão a dar que falar. Em causa está a mais recente descoberta de que a água do cometa Churyumov-Gerasimenko, da família dos cometas de Júpiter, tem uma constituição diferente da água dos oceanos terrestres. A água do cometa analisado pela sonda Roseta revelou conter um rácio deutério/hidrogénio três vezes superior à água dita “normal”, presente no planeta Terra.

A descoberta é tanto mais impressionante se tivermos em conta que os resultados da constituição da água vêm contrariar resultados previamente obtidos pela Agência Espacial Europeia:

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A análise à água do cometa 103P/Hartley 2, da mesma família dos cometas de Júpiter, havia revelado que a água deste cometa tinha uma constituição idêntica à da água da Terra.

O facto de o Chyrumov-Gerasimenko ter uma “água diferente” está a dividir a comunidade científica relativamente à origem da água no nosso planeta – se esta vem dos cometas ou dos asteroides, é a questão. Sobre a descoberta, Kathrin Altwegg, investigadora da Universidade de Berna, na Suíça, que liderou o estudo, referiu que “esta descoberta surpreendente poderá indicar uma origem diversa para os cometas da família de Júpiter”.

Relativamente ao debate sobre a água terrestre, a diferença na constituição da água encontrada no cometa, ainda que longe de conclusiva, afasta a teoria de que a água terrestre terá provido de cometas, reforçando a tese dos asteroides. Ainda que tenham demonstrado um teor de água bastante inferior, análises a asteroides que se despenharam no nosso planeta mostram uma constituição de água em tudo semelhante à água da existente na Terra.

Após a descoberta feita no passado dia 10 de Dezembro, a Agência Espacial Europeia suportou a teoria que gira em torno dos asteroides, tendo mesmo chegado a citar Kathrin Altwegg quando esta referiu que “a nossa descoberta (…) reforça os modelos que colocam mais ênfase nos asteroides como a principal origem dos oceanos da Terra”.