‘Cábula’: uma entrada a pés juntos


Salvador Martinha regressou aos palcos para apresentar Cábula, um espetáculo em que frequentemente recorre a “auxiliares de memória” enquanto avalia a audiência e põe à prova a sua capacidade de improviso com base em temas lançados pelo público. Soa-vos a Commedia a la Carte? Não tem nada a ver.

Quem o conhece, sabe que é um observador nato, atento às falhas dos portugueses e das gerações mais novas – quem não se lembra da sátira ao Ask.Fm? O Salvador podia até ser sociólogo, mas não ouve bandas alternativas (minto; entrou em palco ao som de LCD Soundsystem e saiu de cena com a “Savior” da Mimicat) nem tem um altar do João César Monteiro em casa. No entanto, desempenha a função como muitos gostavam de o fazer. Desde os alargadores de orelha até às skinny jeans, nada escapa ao seu olhar arguto.

Mas é no crowdworking que o humorista por detrás de projetos como Sal ou Nada De Especial mais nos surpreende. Não me levem a mal; as piadas são ótimas, mas a capacidade de improviso, que geralmente é usada para troçar vários elementos do público (pensem bem se se querem mesmo sentar nas filas da frente), traz gargalhadas mais espontâneas do que qualquer texto previamente estudado e ensaiado.

Este é, indubitavelmente, um espetáculo que agrada a qualquer da fã de humor. Seja ele físico, de observação ou improviso. Cábula é um triplete perfeito- vindo, curiosamente, de um sportinguista- ganho em apenas 70 minutos. Sentem-se compensados os 12 euros em” tão pouco tempo”, vão por mim.

Ficaram com água na boca? É uma pena. Cábula não voltará tão cedo a Lisboa ou ao resto do país, mas por um motivo específico: vem aí um novo solo (o 4° de Salvador), inspirado neste breve registo, mas com ainda mais surpresas à mistura. A produção, desta feita, terá uma componente audiovisual mais forte e chegará, se tudo correr bem, às várias salas do nosso país em Março de 2015.

Haverá melhor noticia?