Coreia ameaça, EUA reiteram, China envolve-se


A Coreia do Norte continua a negar qualquer envolvimento no ataque informático à Sony Pictures e continua a ameaçar os EUA. “O nosso contra-ataque mais duro será audaciosamente perpetrado contra a Casa Branca, o Pentágono e todo o território americano, a fossa do terrorismo, ultrapassando largamente o ‘contra-ataque simétrico’ anunciado por Obama”, disse, este domingo, a Comissão Nacional de Defesa norte-coreana, citada pela AFP.

O mesmo organismo avisou ainda que o seu exército de 1,2 milhões de membros está pronto para usar todos os tipos de confronto com os EUA. A Coreia do Norte já tinha dito que tinha forma de provar a sua inocência no caso e proposto uma “investigação conjunta” com as autoridades norte-americanas.

Também este domingo, numa entrevista à CNN, Barack Obama disse que tudo se trata de “um acto de cibervandalismo” e não de um “acto de guerra” e reiterou a responsabilização da Coreia do Norte no ataque.

O Presidente norte-americano insistiu na discordância com o cancelamento do filme, dizendo que o problema é o precedente criado ao ceder a exigências sob ameaça. “Se criarmos um precedente em que um ditador num outro país pode perturbar os produtos ou a cadeia de distribuição de uma empresa através de ciberataques, e se como consequência disso começarmos a censurar-nos, isso é um problema”, explicou.

China condena ataque

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, reuniu-se domingo à noite com o seu homólogo norte-americano, o secretário John Kerry; o resultado foi um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros divulgado esta segunda-feira. Nele, a China condena “qualquer ataque ou terrorismo cibernético” e refere que “também se opõe a que qualquer país ou indivíduo utilize instalações de outro país para atacar um terceiro”.

A China, que no passado recente também tem sido acusada pelos EUA de vários ataques informáticos, tem defendido que a sua rede de internet também é vítima frequente dos piratas informáticos, e que é necessário aumentar a cooperação internacional para lutar contra este tipo de acções.

A Sony Pictures disse, entretanto, que a estreia do The Interview foi apenas adiada para mais tarde, de forma a proteger os seus funcionários e o seu negócio. O estúdio está a procurar soluções para fazer o filme chegar ao público, sendo que o BitTorrent, o YouTube ou o Netflix podem estar entre elas.