O “exército” de robôs da Amazon


Não vêm de uma galáxia “muito muito longe” e não têm o charme do Wall-E, mas são muito eficientes a desempenhar as suas funções. Pela primeira vez, a Amazon abriu as portas do armazém OAK4, na Califórnia, e deu a conhecer ao mundo os milhares de “funcionários” que ajudam a lidar com o aumento do volume de vendas que se regista com a chegada da quadra natalícia.

Quando em 2012 a gigante de vendas online comprou a Kiva Systems, não era claro o destino que iria dar à tecnologia de automação adquirida: sabe-se agora que a Amazon tem à sua disposição um exército de mais de 15 mil robots, distribuídos por 10 armazéns de nova geração, cuja única função é mover prateleiras carregadas de produtos. O objectivo? Aumentar a produtividade e expandir a empresa.

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Cada robot consegue transportar, silenciosamente e de forma ordeira, prateleiras com mais de 340 quilogramas, sem deixar cair nenhum item, permitindo que os funcionários não percam tempo a percorrer os corredores dos armazéns – onde mais de 20 milhões de materiais permanecessem até serem enviados para os clientes. As prateleiras são levadas para áreas específicas onde vários trabalhadores aguardam para retirar ou abastecer os produtos para as encomendas.

Além de poupar tempo, o recurso a estes robots torna os armazéns ainda mais rentáveis uma vez que o espaço entre as estantes passa a ser menor, já que a circulação humana na maioria das áreas deixa de existir, aumentando o espaço disponível para guardar mais inventário.

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As encomendas podem assim ser entregues no próprio dia em áreas mais próximas destes estabelecimentos e o enorme aumento esperado no volume de vendas – principalmente nesta época que vai do caos do Black Friday ao frenesim do Natal – é ainda acompanhado pelo aumento do stock disponível. Será o vídeo que retracta o funcionamento destes operários robóticos uma janela para um futuro em que os humanos perdem os seus empregos para as máquinas? Aparentemente, não.

A líder de vendas online norte-americana planeia contratar cerca de 80 mil funcionários para dar conta das encomendas durante esta época de festividades – mais 14% do que no período homólogo do ano passado – e espera que milhares dos novos trabalhadores temporários fiquem posteriormente na empresa em full-time. Só para o OAK4 foram recentemente contratados 2,5 mil funcionários, encontrando-se agora mais de 4 mil trabalhadores em funções no armazém.

Dave Clark, vice-presidente das operações da Amazon a nível mundial, garante que “os humanos” não precisam de se preocupar com a possibilidade de ser substituídos, segundo a Wired: “A Kiva está a fazer a parte que não é assim tão complicada. […] As pessoas é que fazem o trabalho difícil, que é identificar o produto certo, certificar-se de que tem qualidade, ter a certeza de que é suficientemente bom para ser um presente para alguém”.

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Além disso, despachar os produtos mais depressa, de forma mais eficaz e com custos mais baixos, irá permitir que a gigante se expanda, criando mais postos de trabalho: “Enquanto nos tornamos eficientes numa área, à medida que amadurece, investimos em algo novo noutra […]. Prevejo que esse ciclo continue por muito tempo”, acrescentou Dave Clark.