O lince ibérico está de volta ao território natural português


Lynx Pardinus é exclusivo da Península Ibérica, não existe mais lugar nenhum do mundo – daí que tenha sido baptizado de Lince Ibérico. Todavia, nos últimos anos, a sua população tem vindo a minguar, restando hoje pouco mais de uma centena de linces em Espanha e quase nenhum em Portugal no princípio década passada. É o felino mais ameaçado de extinção em todo o mundo. Aliás, foi considerado em “perigo crítico” de extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza.

Nos últimos dez anos, vários linces foram criados em cativeiro na Península Ibérica e libertados em território espanhol; agora foi a vez de Portugal. Um macho e uma fêmea – Katmandu e Jacarandá – foram libertados esta terça-feira numa zona cercada, com cerca de 2 hectares, em Mértola, no distrito de Beja. Katmandu nasceu no centro de reprodução de Zarza de Granadilla, perto de Plasencia, em Espanha. Jacarandá é portuguesa e foi criada no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves.

Os dois animais permanecerão neste ambiente até se habituarem ao meio selvagem; só quando tal acontecer é que conhecerão a verdadeira liberdade. Dentro do cerco, os linces têm uma área coberta com vegetação arbustiva para se esconderem; e uma zona aberta, onde se espera que apareçam coelhos bravos “enganados” com comida para serem caçados pelos linces. Foram colocados no ambiente 30 coelhos e dentro de 15 dias será feito um reforço. O coelho bravo é o principal alimento do lince ibérico e, por isso, um elemento determinante no processo de reintrodução da espécie. Se não existirem em número suficiente, os linces procurarão outras áreas ou simplesmente não sobreviverão.

Outro problema é o novo ambiente a que os animais regressam. Um território com mais estradas e com mais carros. Duas coisas que, somadas, têm sido uma das principais ameaças à sobrevivência dos linces libertados em Espanha: ao todo, desde 2012, já morreram 20 linces atropelados.

Nos próximos meses serão libertados mais 8 linces em Portugal.

(foto: Carla Castelo)