O telescópio Kepler renasceu e identificou uma nova Super Terra


 
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HIP 116454b. Pode parecer um typo, mas trata-se apenas da designação dada pela NASA ao planeta recentemente identificado pelo telescópio espacial Kepler. Situado na Constelação Peixes, este exoplaneta (planetas que orbitam em torno de uma estrela que não o Sol) está a uma distância de 180 anos-luz da Terra.

Com um diâmetro de cerca de 32 mil quilómetros (quase duas vezes e meia o da Terra, que se situa nos 12,756 km) e características muito semelhantes às do planeta azul, os cientistas catalogaram o HIP 116454b na classe de “Super-Terra”.

Lançado em 2009 pela NASA, o telescópio espacial Kepler tem como principal missão identificar exoplanetas distantes com características idênticas às da Terra. Para o fazer, recorre a um conjunto de sensores que monitorizam em simultâneo o brilho de aproximadamente cem mil estrelas, sendo o telescópio capaz observações até uma distância de 3.000 anos-luz. O Kepler consegue identificar planetas até então desconhecidos ao analisar pontos negros na luz de uma dada estrela, que significam a passagem de um planeta na sua órbita.

Em Maio de 2013, a missão sofreu um duro revés quando um dos mecanismos responsáveis pela estabilização do telescópio sofreu uma avaria. O telescópio Kepler parecia estar então condenado, já que precisa de estar perfeitamente estável para conseguir posicionar-se corretamente e observar com rigor e exatidão a luz das estrelas. Os problemas acabaram, contudo, por ser resolvidos, tendo a NASA voltado a ativar o Kepler numa missão que intitulou de “K2”, uma alusão à “segunda vida” do telescópio. E ainda que tenha agora apenas 50% da potência que tinha quando foi lançado em 2009, o Kepler está bem e recomenda-se, tal como o comprova a mais recente descoberta do novo exoplaneta.

Andrew Vanderburg, cientista do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, não escondeu o seu entusiasmo com a descoberta do HIP 116454b. Um dos principais responsáveis pela reparação do telescópio, Vanderburg afirmou categoricamente que, “como uma phoenix a renascer das cinzas, o Kepler renasceu e continua a fazer descobertas. Ainda melhor, o planeta que descobriu é propício para estudos futuros”.

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Descobrir Super Terras não é um acontecimento estranho

Descobrir Super Terras pode parecer um evento raro, mas é algo bastante comum até. Recentemente, astrónomos descobriram uma Super Terra chamada 55 Cancri E, que orbita uma estrela a 44 anos luz da nossa Terra. A descoberta foi feita por um telescópio terrestre, o Nordic Optical Telescope, em La Palma, na costa da África.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!