Os 10 álbuns portugueses de 2014


 
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Penso que qualquer fã de música chega ao fim do ano reconfortado com uma certeza: a música nacional está mesmo de boa saúde. Não que isso seja uma novidade para alguém, mas é sempre bom estar em Dezembro com a certeza de que assistimos a doze meses de lançamentos de discos que estão à altura do que se tem feito até agora.

Passou mais um ano e a música nacional continua a crescer, a renovar-se e a inventar-se. No meio de tantos – e bons – álbuns, o Shifter escolheu dez para esta lista de álbuns do ano. Não que sejam os melhores, porque não concordamos com esse adjectivo quando se fala de música e de discos, mas porque são aqueles que, pelas razões que vamos apresentar, achamos que merecem o nosso destaque.

 

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B Fachada – B Fachada

Assim que ouvimos “Camuflado”, o primeiro single deste homónimo do tio B, percebemos que só podiam vir aí coisas boas. E, para nossa felicidade, o resto do álbum confirma isso mesmo. A produção do disco está mais cuidada que nos anteriores, é mais criativa, e confere às músicas a força e a personalidade que precisavam para estar à altura do autor por trás delas. As letras, como sempre, são absolutamente geniais. Um disco que é mais uma prova de como B Fachada é um dos artistas mais próprios e mais “portugueses” da actualidade.

 

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Bruno Pernadas – How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge

É dificil definir este How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge. E isso é um óptimo elogio para Bruno Pernadas. Anda pelas bocas de quase todos os que gostam de falar de música e é normal que assim seja. Não é um oásis no deserto porque felizmente o nosso panorama musical é bem melhor do que muitos pintam. É verdade que temos por cá algumas zonas cinzentas, mas músicas como “Ahhhhh” ou “Pink Ponies Don’t Fly on Jupiter” oferecem cor a muitas delas. A quantidade de influências que Bruno Pernadas demostra com cunho muito próprio demonstram uma capacidade de pincelar em vários estilos, pautados com um psicadelismo tão agradável quanto viciante.

 

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Capicua – Sereia Louca

Quem ainda não ouviu, adorou e cansou-se da “Vayorken” tem vivido debaixo de uma rocha durante este ano. A rapper portuense pegou em alguns dos melhores produtores portugueses como Dj Ride, Stereossauro e D-One e contruiu Sereia Louca, um álbum que vive de letras honestas e autobiográficas e de grandes instrumentais. O que achamos deste disco? A gente diverte-se imenso sempre que o pomos a tocar.

 

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Capitão Fausto – Pesar o Sol

Pesar O Sol é o álbum que confirma o estatuto dos Capitão Fausto como fenómeno da música alternativa portuguesa. As guitarras aceleradas de “Gazela” foram substituídas por paisagens sonoras deambulantes que não desiludiram os fãs da banda. Confirmaram o sucesso do álbum tocando por todo o país e são hoje uma das bandas portuguesas que mais consenso reúne junto dos ouvintes portugueses. Este longa-duração deixa-nos com água na boca para saber o que é que os cinco rapazes de Lisboa estão a preparar para o futuro.

 

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Dead Combo – A Bunch Of Meninos

A Bunch Of Meninos junta-se a uma longa lista de argumentos que sustentam o sucesso indiscutível dos Dead Combo. O percurso desde Vol.1 até aos dias de hoje foi feito sem grandes quebras ou solavancos e são faixas como “Povo Que Cais Descalço” ou “Hawai Em Chelas” que alicerçam, de forma consistente, esta viagem pelo tempo e por Portugal. Genuinamente tuga, realmente bom.

 

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Éme – Último Siso

O último disco de Éme, Último Siso, é um afastamento claro da sonoridade Cafetra Records · a editora que João Marcelo, o nome verdadeiro de Éme, fundou com amigos – presente nos seus outros trabalhos. O álbum conta com uma produção mais cuidada, mais pensada, e menos lo-fi – a sonoridade de assinatura da editora. Contudo, e apesar de fazer lembrar por vezes Walter Benjamin e B Fachada, ambos envolvidos na produção do disco, este álbum continua a soar a Éme. Soa a Éme no seu melhor, acompanhado por letras brilhantes e teclados vintage deliciosos.

 

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Guta Naki – Perto Como

Guta Naki é uma caixinha de surpresas difícil de compreender no panorama musical português. Electrónica minimalista, guitarras tímidas e linhas de baixo que tornam tudo isto dançável juntam-se à voz calma e grave de Cátia Sá Pereira para formar uma experiência sonora quase obrigatória da música portuguesa, diferente de tudo o que se faz por cá. Apesar do fim inesperado do trio no final deste verão não conseguimos não ficar contentes por termos tido a oportunidade de ouvir os ambientes intimistas criados em Perto Como.

 

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Moe’s Implosion – Savage

Savage é, sem qualquer dúvida, o melhor registo de estúdio dos Moe’s Implosion. As novas faixas dos 5 rapazes do Montijo estão cada vez mais coesas entre si e prontas a serem servidas ao vivo com a tenacidade de um animal feroz que atormenta a presa sem lhe dar margem de manobra. 10 anos depois da estreia, os Moe’s continuam com sangue na guelra. É bom vê-los assim.

 

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Sensible Soccers – 8

Os Sensible Soccers estrearam-se em 2011 com o epónimo Sensible Soccers EP, mas foi este ano que agarraram a atenção do público com o lançamento do 8. O primeiro longa-duração da banda está repleto de synths ambientais, guitarras envolventes e atmosféricas e batidas incessantes, e a cereja no topo do bolo será certamente a música “AFG”, uma das faixas nacionais mais interessantes de 2014. A julgar pela atribuição da Rôla de Ouro pela Time Out Lisboa a este disco, não seremos seguramente os únicos a considerar 8 um dos melhores álbuns portugueses deste ano.

 

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You Can’t Win, Charlie Brown – Diffraction/Refraction

Diffraction/Refraction é o segundo álbum de You Can’t Win, Charlie Brown. Não havendo nenhuma mudança radical de sonoridade em comparação com o primeiro álbum, este segundo trabalho apresenta uma banda mais adulta em termos de composição e mais certa daquilo que quer fazer. Os detalhes de composição são deliciosos e a riqueza de instrumentos e vozes presentes no álbum fazem dele um dos mais interessantes do ano.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!