A Internet tal como a conheces vai acabar, diz o chairman da Google


Das duas uma: ou a Internet vai começar a passar despercebida de tão integrada que vai ficar nas nossas rotinas ou vai desaparecer. A opinião foi dada pelo responsável da Google, Eric Schmidt, no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. A previsão do diretor-executivo da empresa é a de que vamos viver num mundo onde tudo interage connosco diariamente. No entanto, Schmidt não se compromete quanto ao futuro das apps: não é possível antecipar o papel das aplicações dos smartphones no futuro mercado tecnológico, argumenta.

Vou responder de uma forma muito simples: a Internet vai desaparecer”, disse Eric Schmidt sem hesitar, no final da conferência – O Futuro da Economia Digital – sobre os próximos passos do mercado das aplicações de telemóveis no Fórum Económico Mundial. O responsável da Google explica que “vai haver tantos endereços IP… tantos dispositivos, sensores, coisas que se usa, coisas com que estaremos a interagir que nem sequer nos apercebemos”.

Mas isto não é mau, pelo contrário. Schmidt prevê que a interactividade se eleve a um patamar tornando “fascinante” o futuro da tecnologia: “emerge assim um mundo muitíssimo personalizado, muitíssimo interactivo e muito, muito interessante”, argumentou. No topo desse fascínio está uma realidade já patente: a Internet deu mais poder aos cidadãos, fortalecendo as democracias ocidentais e levantando ondas de revolta por todo o mundo. “De repente, os cidadãos têm uma voz, podem ser ouvidos”, explicou: “há anos que a Internet é a coisa que tem dado mais poder aos cidadãos.” A Internet irá, sim, desaparecer mas da forma como a conhecemos hoje.

O chairman da Google visitou recentemente a Coreia do Norte, país que tem vindo à baila devido a várias polémicas relacionadas com a Internet e a privacidade e que supervisiona todo o acesso à Internet dos seus cidadãos. Schmidt condenou este supervisionamento “excessivo” que diz “não é bom para o país“.

O painel da conferência contou ainda com a COO do Facebook, Sheryl Sandberg, que relembrou que apenas 40% da população mundial tem acesso à Internet. Ainda assim, mostrou-se mais optimista quanto ao crescimento que pode haver nos próximos anos no acesso. Sandberg vê aí uma oportunidade para enriquecer e fortalecer as democracias, o papel dos cidadãos e o interesse económico nas novas tecnologias.

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