A nudez consentida para combater o revenge porn


Na maior parte dos casos, quando há um leak de fotos que envolvam mulheres nuas, estas sentem-se envergonhadas consigo próprias. No entanto, a activista dinamarquesa Emma Holten quer quebrar esse ciclo vicioso de autodepreciação. Também ela alvo dessa exposição, por causa da vingança de um ex-namorado, Holten recusa-se a sentir-se mal pelo seu corpo. Pelo contrário: celebrou-o num ensaio fotográfico.

“Vivemos numa cultura patriacal que nos culpa por ser quem somos”

Emma queria mostrar o seu corpo em termos definidos por si, por um fotógrafo e usando fotografias escolhidas por ela própria. E foi isso que fez, como conta o Huffington Post. Neste caso, foi uma fotógrafa: Cecilie Bødker Jensen é a responsável pelas fotos de Emma Holten em topless, retratada como “um ser humano, não como um objecto sexual”. A sessão fotográfica que reflete o quotidiano de Emma foi publicada na revista dinamarquesa Friktion.

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À Elle, a activista dinamarquesa confessou que só conseguiu ir para a frente com este acto de coragem graças ao patrão que a apoiou. “Vivemos numa cultura patriacal que nos culpa por ser quem somos”, defende Holten, com a convicção de que tem “o direito de tirar fotografias ou vídeos”. Revoltada contra a misoginia que diz estar presente na sociedade atual, Emma Holten argumenta que o chamado “revenge porn” pretende apenas deitar as vítimas abaixo para que os agressores se sintam melhor.

Holten defende que o problema não é a exposição do corpo, mas a forma como é feita: “sem o meu consentimento, não há foto sexualmente explícita que seja aceitável”, argumenta a dinamarquesa, finalizando que esse tipo de actos são definidos por uma palavra: violação.

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Realidade ou ficção? Os números explicam

Cerca de 10% dos ex’s já ameaçaram os parceiros de publicar fotografias íntimas. Os dados são de um estudo da MacAfee, empresa informática dedicada ao software de segurança, e revelam que casos como o de Emma Holten são mais comuns do que poderíamos pensar. Dos 10%, 1 em cada 6 cumpriu a ameaça. As vítimas são, maioritariamente, mulheres (90%).

Activistas como Emma Holten querem tornar ilegal o “revenge porn” com uma lei mundial, igual à que é aplicada em já 13 dos 50 estados dos EUA, que condena estas práticas. No entanto, há ainda muito por fazer.

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