Astrofísico português Vítor Cardoso recebe 1,5 milhões para estudar equações de Einstein


 
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O astrofísico português Vítor Cardoso ganhou uma bolsa de investigação no valor de 1,5 milhões de euros para estudar as famosas equações de Einstein. A bolsa foi atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação à sua equipa que conta ainda com dois pós-doutorados japoneses e um italiano e que deverá aumentar com estes novos fundos.

Aprofundando os estudos que fez anteriormente, Vítor Cardoso vai utilizar o valor para investigar mais sobre a Teoria da Relatividade Geral. No ano em que se comemoram os 100 anos da teoria de Einstein, o português vai tentar resolver as equações e procurar explicações que – matematicamente – descrevam o que se passa num buraco negro, algo que ainda se mantém um mistério.

“O objectivo não é ganhar o dinheiro, é fazer a ciência”

Para o ajudar nesta difícil tarefa, Vítor Cardoso conta com o supercomputador Baltasar Sete-Sóis (referência à personagem principal d’ O Memorial do Convento, obra de referência de José Saramago), fruto de um trabalho de investigação do grupo do português no IST que remonta a 2010. “O objectivo não é ganhar o dinheiro, é fazer a ciência”, disse ao Observador.

A resolução das equações envolve uma capacidade mental e matemática que vai para lá das qualidades humanas: “As equações da relatividade são tremendamente complicadas de resolver e têm muitas soluções – tal como a ‘fórmula’ da biologia dá origem a muitos seres vivos diferentes. Só muito recentemente, a começar em 2005 ou 2006, é que conseguimos perceber como conseguir pôr os computadores a resolver as equações, em situações muito complexas“, explicou o astrofísico ao Público na altura da concepção de ‘Baltasar Sete-Sóis’.

O supercomputador vai sofrer remodelações para ficar mais potente e, assim, ajudar de forma eficaz o aprofundamento do estudo.

“Tentar também perceber a matéria escura usando física de buracos negros”

O centenário das equações de Einstein é assim o pretexto ideal para perceber o “potencial dos buracos negros e das ondas gravitacionais e do que nos ensinar acerca do Universo” – outro dos objetivos desta investigação. No centro de tudo estará o estudo da matéria negra invisível: os cientistas concordam que esta existe, apesar de não saberem o que é, uma vez que só assim se explicam os efeitos gravitacionais que essa matéria provoca à sua volta.

Ao Observador, o investigador evidenciou a necessidade da continuação desta investigação: “Entender a colisão de buracos negros é importante porque estamos a perceber que a grande maioria das galáxias tem um buraco negro no meio. Imagine uma teia, no centro está uma aranha, neste caso a aranha é o buraco negro. (…) Duas galáxias colidem uma com a outra. Que tipo de radiação é emitida? Como se comportam os dois buracos negros? Isto é observável.”

No ano passado também existiram avanços nesta área, em particular sobre a Teoria da Relatividade Geral: foram detectadas pela primeira vez – de forma directa – as ondas gravitacionais que traduzem as ondulações no espaço-tempo, produzidas no Big Bang, que são a base da teoria de Einstein. Esta é a prova de um Cosmos que começa de forma abrupta e que tende a inflacionar, principalmente nos primeiros momentos de existência, resquícios agora detectados. Posteriormente a esta confirmação, vozes contrárias vieram negar a descoberta dizendo que esse sinal afinal foi produzido por poeiras do Sistema Solar, deitando por água abaixo as esperanças nesta área de investigação.

Esta não é a sua primeira bolsa atribuída a Vítor Cardoso. Em 2010, já tinha ganho outra inferior, no valor de um milhão de euros: “não conheço mais nenhum físico europeu com duas bolsas” no instituto que financia os estudos europeus de ciência, refere o astrofísico ao Público. Aos 40 anos, Cardoso é professor e investigador do Centro Multidisciplinar de Astrofísica (Centra), integrado no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico.

Este primeiro apoio possibilitou que a equipa do investigador português aprofundasse o estudo particular dos buracos negros, assim como a compra do supercomputador que custou cerca de 100 mil euros. Uma das principais descobertas defende que as estrelas, assim como o Sol ou os planetas, não se vão transformar num buraco negro e assim sugar tudo à sua volta, tal como se pensava anteriormente.

A esperança é que este supercomputador, não por acaso baptizado de ‘Baltasar Sete-Sóis’, seja o motor que guie a humanidade no avanço do conhecimento científico.

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