Bill Gates também está preocupado com as consequências da inteligência artificial


Elon Musk já tinha aqui avisado o mundo acerca dos perigos da inteligência artificial (IA), doando 10 milhões de dólares para evitar consequências nefastas, mas agora é o homem mais rico do planeta quem o veio dizer. Esta quarta-feira, num Q&A do Reddit, Bill Gates mostrou as suas preocupações em relação às consequências que a inteligência artificial podem vir a causar na nossa realidade actual.

Bill Gates junta-se assim a nomes internacionais importantes como Musk e o físico Stephen Hawking, ambos críticos de uma evolução perigosa da IA. O medo de Gates é que a inteligência artificial evolua tanto ao longo das décadas que se torne um perigo, principalmente para o desemprego (o aumento, neste caso). A partir do momento que o uso da IA seja rentável e optimizado, Gates não tem dúvidas de que os robots vão substituir os humanos. “Não percebo o porquê de algumas pessoas não terem esta preocupação”, lamentou no Reddit.

“O progresso nos próximos 30 anos será maior do que nunca. Várias tarefas serão realizadas por robots, como a recolha de alimentos ou a locomoção de pacientes em hospitais”, argumentou o co-fundador da Microsoft. Se as máquinas actuais já tiraram muitos postos de trabalho, as consequências do uso maciço desta tecnologia artificial na indústria poderão ser catastróficas para as economias. Mas atenção: Gates considera que tal será positivo “se for bem gerido”.

Este é o quadro negro pintado por Bill Gates. A ideia do co-fundador da Microsoft é, ao máximo, controlar os avanços da pesquisa em IA com medidas de segurança. “A partir do momento em que os computadores e os robots atingirem um nível de capacidade onde a visão e o movimento são fáceis, então eles vão ser usados de forma recorrente”, explicou Bill Gates em resposta a questões. A ideia é que estas tecnologias continuem a ser friendly, ou seja, amigas da humanidade e não inimigas.

As preocupações de Gates não são, porém, partilhadas pelo chefe de toda a pesquisa feita na Microsoft. O computer scientist Eric Horvitz já veio a público dizer que não vê a IA como um perigo: “têm surgido preocupações a longo-prazo de que se perca o controlo de certos tipos de inteligência (…) eu não acho, mesmo, que isso vá acontecer”, afirmou. “Acho que vamos ser pro-activos na forma como vamos implementar os sistemas de inteligência artificial”, explicou, referindo que “vai ser possível tirar benefícios incríveis destas máquinas inteligências em todas as áreas da vida, da ciência à educação, da economia às rotinas diárias.”

Tanto Elon Musk como Bill Gates aconselharam a leitura do livro Superintelligence, de Nick Bostrom, que recentemente foi lançado. Este livro explica o panorama actual da IA, incluindo os possíveis perigos.