José González foi à igreja para nos apresentar mais um single do seu novo álbum


 
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Depois de sete anos de pausa, José González regressa aos discos e aos concertos ao vivo e Lisboa vai ter a sorte de o receber. O sueco com nome de espanhol actua no grande auditório do CCB a 19 de Fevereiro para uma sala (infelizmente) já esgotada. Apenas dois dias antes, lança o seu novo álbum Vestiges & Claws. Seria de esperar que o concerto se focasse demasiado no novo disco, mas para quem quer recordar temas antigos, a Uguru, produtora responsável pela vinda do cantor e guitarrista, garante que González não vai esquecer as músicas dos seus primeiros trabalhos Veener e In Our Nature.

O concerto em Portugal é o segundo de uma digressão europeia para apresentar o novo álbum. Vestiges & Claws foi produzido pelo próprio, metade foi gravado em estúdio, a outra metade na cozinha de sua casa em Gothenburg, na Suécia. 

Na press release que divulga o álbum, González diz ter encontrado inspiração em produções brasileiras dos anos 1970 e assume ter ido buscar sonoridades ao folk rock americano e ao blues africano. Acrescenta que se cansou de letras autocomiserativas e que nunca teve lyrics tão claras como neste Vestiges & Claws

Para ter um cheirinho do que aí vem, há um teaser do álbum disponível no YouTube sendo que, até agora, já são conhecidos dois singles. 

O mais recente “Leaf Off/The Cave”, lançado na semana passada, que nos mostra o músico e a sua banda a tocar para uma congregação idêntica à de uma igreja. Desengane-se quem pensa que José González enveredou pelo caminho da música litúrgica. Este vídeo é aliás uma homenagem à The Sunday Assembly, um movimento para pessoas não-religiosas que procuram uma experiência comunitária semelhante à de uma igreja, com a diferença que, aqui, em vez de Deus, celebra-se a Vida. No vídeo realizado por Mikel Cee Karlsson, González actua para a comunidade da Sunday Assembly da cidade onde vive enquanto conhecemos algumas das famílias que dela fazem parte.

O primeiro single – “Every Age” – era já conhecido desde o passado mês de Novembro. Em várias intervenções, o próprio José González tem escolhido a primeira estrofe da música para descrever todo o álbum:

“Every age has its turn / Every branch of the tree has to learn / Learn to grow, find its way / Make the best of this short-lived stay” 

José González também é conhecido do público pelo seu projecto de pop electrónico Junip, e foi precisamente a isso que o cantor se dedicou nestes últimos tempos. Durante os sete anos de pausa na carreira a solo, os Junip lançaram dois álbuns, Fields e o auto-entitulado Junip e estiveram em Portugal no Super Bock Super Rock 2011. Essa foi aliás a última vez que González pisou palcos portugueses.  

Quem não teve a sorte de conseguir comprar bilhetes para o espetáculo no CCB, pode sempre ir até Barcelona. José González junta-se ao cartaz do Primavera Sound de dia 29 de Maio, onde vai partilhar palco com nomes como Alt-J, Belle & Sebastian e Julian Casablancas. Para quem, por infortúnio do destino ou vontade de poupar, não vai conseguir ver José González em nenhuma das ocasiões e precisa de afogar as mágoas, pode relembrar aqui aquele que foi o hino da juventude do início dos anos 2000, perfeito para a circunstância. 

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!