O que é o Charlie Hebdo?


 
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O jornal satírico Charlie Hebdo não é estranho a ameaças, mas o atentado de que foi alvo é o mais terrível incidente da sua história.

A sua forma de ser é historicamente crítica e com frequência obscena, registo de estilo com história em França e que começou com os pasquins com um alvo muito especial, a família real francesa. Eram decorados com ilustrações satíricas que inspiraram uma liberdade de expressão que se mantinha até hoje.

Afinal, os alvos mudaram, mas a política, a religião e a corrupção descarada – muitas vezes embrulhadas em conjunto – continuavam a servir de fonte a uma magazine sedenta de pôr o dedo na ferida. Estas investidas eram feitas em todas as direções, mas algumas ripostavam mais forte do que outras.

Os cartoons que ilustravam Maomé em 2011 e a capa mais recente, em que o Estado Islâmico decapita a figura do Islão são manifestações criativas fortes, mas que figuravam na razão de ser do Charlie Hebdo.

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A herança cultural que carregam foi um fardo que hoje teve tristes consequências, minimizadas apenas se a veracidade e a beleza destas críticas continuar a viver para além dos artistas que as criaram.

Foram desenhados por estes artistas cartoons que não se vão apagar.

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O Charlie Hebdo nunca foi um sucesso de vendas, chegou até a passar um período de dez anos fechado por falta de recursos. A edição mais polémica foi um raro sucesso de vendas, mas elevou a tiragem habitual da revista.

Parte do imaginário dos quiosques franceses, a revista está repleta de banda desenhada – os “quadradinhos” – com caricaturas e ilustrações que parecem saídas de um livro para crianças. Exemplo disso são as representações de Maomé.

No entanto, valia tudo. Freiras, judeus, Marine Le Pen. E era nestes cartoons que ficavam estampadas sátiras venenosas, que tantas vezes acertavam em cheio. Era sem dúvida uma sátira incendiária.

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Em Novembro de 2011 a polémica em torno da revista era tanta que a sua redação foi mesmo atacada. Depois do hack ao website e das ameças de morte aos jornalistas da revista, a redação foi arrasada por cocktails molotof. Nessa altura, tinha sido a edição da revista em que Maomé era um curador convidado – o título da edição foi mesmo Charia Hebdo – a suscitar esta reacção.

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Mas sempre foi parte da Charlie Hebdo combater ameaças com controvérsia. A todas estas ameaças, cada vez mais agressivas, a resposta não poderia ter sido mais directa. A capa que lançaram imediatamente após esta polémica tinha um cartoonista que representava o jornal, beijando um muçulmano – à francesa.

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A descrição da imagem dizia que o amor era mais forte que o ódio. Estaríamos enganados?

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!