Ontem fomos “Charlie” em Lisboa


Ser-se “Charlie” é muito mais do que alterar a nossa foto de capa ou perfil do Facebook para um dos muitos cartoons que o Hebdo publicou ao longo das últimas décadas.

Se nos dizemos “Charlie”, devemos homenagear, em praça pública – como eu e outros 2 milhares de anónimos fizemos – todos os que perderam a sua vida pela liberdade de expressão, não só em 2015, como nos anos anteriores (as estatísticas são antigas, mas assustadoras: de 1990 a 1999 foram assassinados 662 jornalistas que tinham como propósito único fazer-nos chegar notícias do mundo que nos rodeia).

Se somos “Charlie”, devemos aceitar as críticas que nos são feitas, sem procurar defesa ou vanglória moral através de palavras caras. Se somos “Charlie”, não vemos limite à sátira só quando nos convém, aceitamo-la todos os dias na nossa vida, mesmo que possamos fazer parte dos que por ela são visados. Eu tenho a certeza que sou Charlie: não me auto-censuro, não censuro os outros e, sobretudo, não deixo que me censurem.

Tenho a certeza que este meio em que vos escrevo, o Shifter, é também ele “Charlie”. Sempre me deixou publicar o que quis, com as palavras que quis, e sempre se predispôs a dar o corpo às balas, quando a coisa podia correr mal. É com orgulho que sou Shifter, é com orgulho que sou “Charlie”.

Em baixo, ficam algumas das fotos tiradas pelo João Porfírio na noite de ontem. Foi bom ver tantos a lutar pelos direitos de tão poucos; pena que 12 de nós tivessem de morrer para que tal acontecesse.

#JeSuisCharlie

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