Zuckerberg diz que o futuro da tecnologia podem ser óculos… mas não como “aqueles” que temos hoje


Parece que Mark Zuckerberg já não está entusiasmado com o Google Glass. Numa sessão de perguntas e respostas que promoveu esta quara-feira na Colômbia, o chefe do Facebook lembrou que há 10 ou 15 anos a principal forma de as pessoas usarem a internet era através de computadores e que hoje o fazem com um telemóvel.

“Podemos imaginar que, nos próximos 10 a 15 anos, existirá uma outra plataforma que será ainda mais natural e incorporada nas nossas vidas do que os telemóveis o são”, referiu Zuckerberg, concebendo um futuro para além do telemóvel. “Poderá ser algo que possamos ‘vestir’ [alusão à tecnologia wearable], que se pareça com óculos normais… e não com aquelas coisas estranhas que temos hoje.”

Mesmo não dizendo o nome, o CEO do Facebook referiu-se aos Google Glass, o produto futurista de realidade aumentada que a Google anunciou em 2011 e que quase 4 anos depois não chegou ainda ao mercado (e pode nunca chegar sequer). Mas Zuckerberg referiu-se também a óculos de realidade virtual, como os Oculus Rift – da Oculus VR, empresa que pertence ao próprio Facebook.

Mas Mark compreende o porquê de os Google Glass e de os Oculus VR serem “estranhos”. Está a acontecer com eles aquilo que aconteceu com os telemóveis quando estes surgiram. “Vocês todos lembram-se certamente que os primeiros telemóveis eram terríveis. E é nessa fase que estamos com a realidade virtual e com a realidade aumentada. É uma fase ainda muito inicial”, disse.

Durante a sessão de perguntas e respostas, Mark Zuckerberg abordou outros temas que tem falado em sessões anteriores, nomeadamente o Internet.org. Aliás, o principal motivo da sua deslocação à Colômbia foi a implementação naquele país sul-americano do Internet.org, o projecto que reúne várias gigantes tecnológicas, incluindo o Facebook, e que tem como objectivo conectar todo o mundo.

 

O Internet.org está desde esta quarta-feira disponível na Colômbia através da rede móvel Tigo, permitindo o acesso gratuito a uma série de serviços online como o Facebook Messenger, a Wikipédia, o AccuWeather, a UNICEF ou o Instituto Colombiano para la Evaluación de la Educación.

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A escolha da Colômbia é significativa, porque apenas cerca de 50% das pessoas do país têm acesso à Internet. A Colômbia é o primeiro país latino-americano a receber o Internet.org – e o quarto do mundo, após Zâmbia, Tanzânia e Quênia.